Leonel Moura
Leonel Moura 21 de julho de 2016 às 20:50

Ainda não vimos nada

O fascismo islâmico alimenta-se da violência aleatória e banal. Não tem propriamente um programa político para lá da submissão, voluntária ou imposta, a preceitos religiosos irracionais, como o são todos.

Visa a criação de uma nova idade das trevas, antiliberdade, anticonhecimento, anti aquilo a que chamamos civilização e não necessariamente só a ocidental. O método é primário. Trata-se de matar indiscriminadamente o maior número de pessoas sobretudo nas cidades europeias, recorrendo a bombas, metralhadoras, facas, o que estiver à mão. Para quê? Para levar à repressão policial e militar, ao ódio, discriminação e perseguição contra os muçulmanos e assim radicalizar jovens que possam por sua vez matar indiscriminadamente o maior número de pessoas. Esta pescadinha de rabo na boca só pode ser quebrada de duas maneiras. Com a destruição política e militar do fascismo islâmico, o que não significa só o ISIS, mas também as suas múltiplas ramificações, desde a Arábia Saudita, a Turquia e outras. Ou com o desmantelamento do projeto europeu, o aumento dos conflitos internos, a radicalização dos nacionalismos.

 

As declarações dos políticos europeus a cada vez que há um atentado são patéticas. Falam dos ataques cobardes, os quais na verdade são atos de coragem ainda que estúpidos e criminosos; apelam à serenidade e manutenção do "nosso" estilo de vida, quando na realidade já se vive na insegurança e medo de sair à rua; e que irão combater por todas as formas esta ameaça, o que objetivamente não fazem quando, sob a capa da religião, se permite uma sistemática e bem montada máquina de recrutamento de jovens muçulmanos e, não menos importante, se promovem regimes, empresas e negociatas que apoiam e financiam o ISIS e outros grupos similares.

 

O desfecho deste jogo será contudo bastante acelerado quando suceder o inevitável. As armas convencionais, as singelas facas, darão um dia lugar a algo mais substancial e mortífero. O grande risco, reconhecido por todos, está na utilização por um destes suicidas de um engenho nuclear, biológico ou químico, ou seja, as chamadas armas de destruição maciça. Eliminando de uma só vez uma considerável parte da população de uma grande cidade.

 

Esta possibilidade está tanto na cabeça dos dirigentes, políticos e militares, do Ocidente que a nova primeira-ministra inglesa já veio dizer que, se for necessário, está disposta a usar o seu arsenal nuclear para fazer desaparecer do mapa a Síria, parte do Iraque e eventualmente outros locais. Nessa altura, não haverá contemplações com os efeitos colaterais tanto mais do que a maioria dos europeus apoiarão uma tal ação.

 

Em suma, incapazes de resolver o problema indo à raiz, acabando de vez com as cumplicidades de alguns bem conhecidos aliados, travando a ganância dos negócios de armas e do petróleo que alimentam o fascismo islâmico em toda a sua extensão, os dirigentes europeus colocam em sério risco os seus povos ao mesmo tempo que militarizam as soluções. Mais, arriscam o desfecho, pois a guerra sabe-se como começa, mas não se sabe como acaba. A possibilidade de uma escalada é evidente.

 

A Europa já está a sofrer muito com este conflito insano. A radicalização da política, manifesta no aumento da extrema-direita, da xenofobia, discriminação e racismo, mas também nas posições dos chamados moderados, está a tornar o nosso quotidiano insuportável. Não foi para isto que ao longo dos séculos tanta gente lutou para criar um mundo mais livre e melhor. Para todos.

 

Artista Plástico

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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