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Paulo Ferreira pferreira@mediafin.pt 06 de Dezembro de 2004 às 13:12

Andar para atrás?

O Parlamento ainda não foi dissolvido, a campanha eleitoral ainda vem longe e os programas eleitorais dos dois principais partidos ainda nem começaram a ser redigidos. Mas nada disso impede o aparecimento precoce de motivos de preocupação sobre o que pode

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O Parlamento ainda não foi dissolvido, a campanha eleitoral ainda vem longe e os programas eleitorais dos dois principais partidos ainda nem começaram a ser redigidos. Mas nada disso impede o aparecimento precoce de motivos de preocupação sobre o que pode aí vir.

Em declarações ao jornal «A Capital» de ontem, Pedro Silva Pereira, porta-voz do PS, já avisou: se os socialistas vencerem as eleições a revisão da lei do arrendamento e a introdução de portagens nas SCUT vão parar à gaveta.

Andamos nisto há décadas. Umas vezes por puro tacticismo eleitoralista, outras por reais divergências ideológicas e programáticas, a alternância tem servido, também, para desfazer o que o governo cessante acabou de fazer.

Não se corrige, não se emenda, não se aperfeiçoa o que pode estar deficiente. Desfaz-se ou faz-se tudo ao contrário. A evolução é trocada pela destruição.

Pelo meio ficam anos perdidos em avanços e recuos, recursos importantes da administração deitados ao lixo, sinais contraditórios dados aos agentes económicos.

Há 10 anos, António Guterres levantou duas "bandeiras" na campanha eleitoral para sinalizar que o seu estilo de governação ia ser diferente da tecnocracia e economicismo cavaquistas: a abolição das portagens na CREL e a troca da barragem do Côa pelas gravuras rupestres.

Cumpriu ambas as promessas. Entretanto, as portagens na CREL voltaram pela mão de Durão Barroso. O parque arqueológico do Côa é um «flop» (sem que isso signifique que as pinturas não devessem ser salvas) e já se voltou a falar novamente da construção da barragem.

O caso agora é mais grave, porque as medidas que estão em causa têm menos de simbólico e mais de estruturante.

Se o PS ganhar as eleições, vamos regressar à estaca zero na revisão da lei das rendas, que é uma urgência há décadas? Vamos atrasar a entrada em vigor de um novo regime em mais quantos anos?

E em relação às SCUT, como vão os socialistas pagar a insuportável factura que criaram para os cofres do Estado e encontrar meios financeiros para construir novas estradas e conservar as que existem?

Mais do que anunciar o que vai destruir, o PS tem que ficar obrigado a dizer o que vai construir e como pensa pagar as respectivas facturas de vier a ser governo.

A vertigem diabolizadora da governação PSD/PP é tentadora, tendo em conta, sobretudo, a forma pouco digna como implodiu.

Mas procurando bem, encontram-se medidas positivas que foram tomadas nestes dois anos e meio de governação.

A quebra do tabu da lei do arrendamento é uma delas e o alargamento do princípio do utilizador-pagador a novas auto-estradas é outra. Tal como a alteração da lei laboral ou a plena tomada de consciência da crise orçamental e de modelo de crescimento em que o país está mergulhado.

Que se guarde o essencial, porque o tempo esgotou-se. Há tantas outras formas de marcar diferenças radicais em relação ao santanismo...

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