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Sérgio Figueiredo 20 de Outubro de 2004 às 13:59

Ao ritmo da tartaruga

Vamos imaginar um pequeno país encostado numa ponta da Europa. O seu principal vizinho, além de uma dimensão muito superior, alimenta uma história repleta de conflitos e desencontros. O inglês não é a sua língua materna, nem outro idioma que lhe permita s

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Ainda assim, lidera há dois anos consecutivos o ranking mundial da competitividade, à frente dos EUA, que é segundo.

Não é, portanto, Portugal. Mas podia ser. Porque, o exemplo da Finlândia está aí para provar como é possível, a um país só com desvantagens competitivas, não só vencê-las como afirmar-se entre os melhores.

O nosso atraso não é, assim, uma fatalidade. O que diríamos sobre o futuro dos finlandeses, enquanto país, após o colapso da União Soviética? E se, num ápice, aqui ao lado, desaparecesse o nosso principal mercado?...

O caso do sucesso finlandês não tem nada a ver com o nosso Orçamento de Estado. Mas lembrei-me da Finlândia, ao ler a reflexão que Teodora Cardoso publicava ontem neste jornal, a propósito do OE para 2005.

Em "artes mágicas", uma das nossas melhores economistas falava nas "artimanhas orçamentais" dos últimos Governos, sem excepção, e encontrava no "oportunismo político" a explicação essencial para a estagnação em que o país caiu.

Foi a política económica socialista que nos conduziu ao desastre. Por isso Durão Barroso ganhou a confiança dos portugueses, para adoptar as políticas adequadas.

Cometeu a proeza de, em três anos, atingir um crescimento económico de 0,2%. Acumulado. O que dá menos de uma décima por ano.

Dá para morrer de frustração, quando nos comparamos com os outros: a Espanha cresceu 7,4% e a zona euro, que já é um paquiderme, conseguiu ainda assim chegar a 3,1%.

Mas dá, sobretudo, para ficar muito irritado ao recordar aquilo que nos foi prometido. A riqueza convergia para a média europeia em 15 anos e a produtividade em 10.

Neste anos maus, entre 2000 e 2004, e fazendo fé no Programa de Estabilidade português, era suposto contar com uma variação acumulada do PIB de 4,8% - será, recordo novamente, de 0,2%.

Há três observações importantes a fazer perante o ritmo de tartaruga.

Uma é que, historicamente, é fácil verificar que a nossa economia é das mais voláteis da Europa. Na descida vamos mais fundo - basta ver que, no top das dez piores recessões europeias, três são portuguesas. Mas, também em expansão, crescemos mais que a média.

Depois, dada a situação particular das nossas finanças, a política de contenção da dra. Ferreira Leite ajudou a cavar ainda mais a nossa sepultura.

Terceira advertência: não há um motivo reconfortante. Os Orçamentos de Barroso eram para reparar as avarias de Guterres. O de Santana vem agora revelar que Barroso fracassou.

Uma década perdida. Com o pior PIB e o défice na mesma. Enquanto isso, os finlandeses não deixaram de ir aos seus Spa’s e ficaram os mais competitivos do mundo.

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