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João Cândido da Silva joaosilva@negocios.pt 10 de Dezembro de 2012 às 00:03

Ao sabor das modas

A retirada de dinheiro dos depósitos bancários costuma ser um sinal de alarme.

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Pode reflectir uma quebra de confiança no sistema bancário e a decisão dos clientes de procurarem terrenos menos arriscados, quando formam a convicção de que a saúde das instituições financeiras não atravessa os melhores dias.

Nos anos mais recentes, não faltaram momentos em que os receios tinham motivos fundados para existirem. O caso mais flagrante foi o do ambiente de apreensão e incerteza que se seguiu à falência do Lehman Brothers. Depois desse evento, vários governos das economias ocidentais tiveram de intervir para assegurarem a estabilização dos sistemas financeiros e evitarem reacções de pânico capazes de os deitarem ao chão.

O lema "demasiado grande para falir" impôs-se às regras normais do jogo do mercado, em que quem se adapta sobrevive e quem não o consegue fazer desaparece. As decisões políticas assumidas foram correctas quando perseguiram o objectivo de salvar o dinheiro dos depositantes, embora de caminho também tenham poupado banqueiros que não mereciam tamanha generosidade.

A recente recapitalização dos bancos portugueses ajudou a tornar os respectivos balanços mais sólidos, injectou novos recursos nas instituições financeiras e preparou-as melhor para os problemas de incumprimentos e imparidades que ainda vão ter de enfrentar, já que a conjuntura económica não permite antecipar tempos menos difíceis para o sector. Mas as operações também tiveram outra consequência.

A certa altura, com o acesso ao mercado interbancário encerrado para os bancos portugueses dependentes do Banco Central Europeu (BCE) para garantirem os meios de que necessitavam, as instituições decidiram subir as taxas de juro dos depósitos. Objectivo: atrair junto dos clientes os recursos que não conseguiam ir buscar a outro lado. O valor total dos depósitos subiu em resposta a este movimento e outros produtos financeiros, como os fundos de investimento, sofreram com a situação ao perderem investidores.

Assiste-se, agora, a um movimento contrário. As estatísticas mais recentes do BCE indicam que os valores aplicados pelos depositantes aos bancos portugueses estão em baixa, de acordo com os dados relativos a Outubro. A redução sucede pelo terceiro mês consecutivo. Não deve haver surpresa. Por um lado, os apertos gerados pela política orçamental e pela recessão força as famílias a recorrerem às suas reservas para, no mínimo, tentarem preservar o poder de compra. Depois, o preço que os bancos estão dispostos a pagar pelos depósitos baixou, muito pela pressão do banco central que quer assegurar que as instituições não colocam em risco a sua saúde financeira. Taxas de juro menos atraentes, menos procura.

Nestes casos, produtos que sofreram uma sangria estão a recuperar o interesse de quem tem dinheiro para aplicar. E esta é uma oportunidade para os fundos de investimento fazerem alguma pedagogia para conquistarem adeptos. Vocacionados para o médio e longo prazo, com uma forma de funcionamento fácil de entender, são o veículo ideal para pequenas poupanças.

O sobe e desce nas estatísticas sobre os depósitos também revela instabilidade nas opções dos aforradores e sinaliza uma deficiente definição de objectivos. Saltar de aplicação de curto prazo em aplicação de curto prazo, é meio caminho andado para passar a vida a tropeçar nas modas de cada momento. 

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