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Pedro Fontes Falcão 25 de Setembro de 2018 às 20:18

Aproveitar gestores experientes e atualmente disponíveis

O aproveitamento desse potencial de gestores passará mais por enquadrá-los nas empresas como "mais um colaborador" que vai trabalhar no dia a dia e não tanto como um perito ou "consultor executivo".

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Esta segunda-feira foi lançado um projeto de gestão interina, negócio que tem sucesso em alguns países há largos anos.

 

Estive numa empresa há cerca de 15 anos que tinha um modelo de intervenção na gestão de empresas, que inclui a intervenção de gestores interinos, com o objetivo de ajudar a recuperar de uma situação difícil e/ou ajudar no seu crescimento sustentável. O modelo de negócios baseava-se num "fee" mensal que serviria para remunerar os gestores envolvidos no processo e depois um bónus, mediante o atingir de objetivos definidos no início da intervenção. Contudo, este serviço não incluía a entrada de dinheiro nas empresas, ou seja, apenas se "dava" gestão e não capital.

 

Contudo, deparámo-nos com um obstáculo grande ao procurar vender os nossos serviços aos donos de empresas médias, que eram o nosso alvo, pois na generalidade das empresas médias, há donos que também são gestores. Como na venda do nosso serviço se passava implicitamente a mensagem de que os atuais gestores não eram os adequados, a reação habitual dos donos (que eram gestores) era de que a questão não se colocava a nível da adequação dos gestores, mas de outros fatores quaisquer. Nestes casos, é preciso humildade para comprar serviços de gestão interina.

 

Então, como aproveitar gestores com valor e atualmente total ou parcialmente desocupados?

 

Há fundos de investimento que contratam gestores interinos para as empresas participadas em que investem. Nestes casos, há dinheiro para remunerar bem esses gestores e em contratá-los transitoriamente tendo em conta o facto de o investimento ser temporário.

 

Mas para outras empresas, desde start-ups a empresas médias, será mais difícil aproveitar esses gestores. No meu entendimento, porque muitos empresários não querem pagar por conhecimento de gestão, considerando que já têm muito conhecimento e/ou que as opiniões não têm valor que se justifique pagar bem por elas. Muito mais facilmente se paga por um produto tangível do que por conhecimento.

 

Assim, na minha opinião, o aproveitamento desse potencial de gestores passará mais por enquadrá-los nas empresas como "mais um colaborador" que vai trabalhar no dia a dia e não tanto como um perito ou "consultor executivo".

 

A minha empresa não teve o sucesso pretendido na altura, mas creio que o mercado esteja a mudar, especialmente quando há tantos gestores experientes de valor disponíveis.

 

Boa sorte para este e outros projetos que possam surgir!

 

Gestor e Docente Universitário

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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