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Oscar Moscariello 29 de Setembro de 2016 às 00:01

Argentina, a hora da economia 

O Nobel da Economia Paul Samuelson declarou um dia existirem quatro categorias de economias: as economias desenvolvidas, as economias em desenvolvimento, o Japão, onde tudo lhe parecia funcionar apesar da escassez de recursos, e a Argentina, onde nada lhe parecia funcionar apesar da abundância de recursos.

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O economista chegou a admitir que se no rescaldo da Segunda Guerra Mundial lhe tivessem perguntado quais as regiões do globo então mais propensas ao crescimento robusto e duradouro, teria seguramente incluído e até destacado a Argentina na sua resposta.

 

Mas os anos foram passando e Samuelson parecia não compreender porque tardava em se reafirmar como potência mundial uma economia de clima temperado, com o oitavo maior território do globo, com mão-de-obra qualificada e com abundantes reservas de petróleo, gás e água. Muitos de nós, argentinos, partilhámos durante demasiado tempo a inquietação deste ilustre pensador.

 

Inequívocos sinais de mudança brotaram contudo no meu país nos últimos meses. Primeiro, no plano político, com a inegável reabertura ao mundo por parte da Argentina desde a eleição do Presidente Mauricio Macri. Depois, no plano financeiro, com o regresso aos mercados internacionais de crédito. E agora, finalmente, no plano económico.

 

O ponto mais alto da transição económica em curso ocorreu precisamente este mês com a realização em Buenos Aires do "Argentina Business & Investment Forum", encontro que a imprensa prontamente apelidou de "Mini-Davos" dada a dinâmica dos trabalhos, a dimensão dos auditórios e o prestígio dos participantes.

 

Convidados pelo Governo nacional, marcaram presença no evento 1.900 empresários e gestores oriundos de 68 países e de diversos sectores de actividade. Presidentes executivos de algumas das principais multinacionais do globo participaram como oradores. Ao fórum assistiram ainda 400 representantes de diferentes governos. Do actual clima de negócios às parcerias público-privadas disponíveis, da análise macroeconómica aos debates sectoriais, nenhum tema central ficou de fora da intensa agenda de três dias de trabalho.

 

O fórum constitui, no fundo, a resposta positiva do tecido empresarial argentino e estrangeiro às medidas implementadas pelo Presidente Mauricio Macri no sentido de abrir a economia ao sector privado e de remover as barreiras ao investimento externo. Medidas que incluem o fortalecimento institucional do poder judicial, o restabelecimento da publicação regular de estatísticas oficiais e credíveis, e o fim das restrições à livre circulação de divisas e ao livre repatriamento de capitais.

 

Respostas como esta começam agora a surgir um pouco por todo o mundo. Com a presciência que caracteriza os seus empresários, Portugal já começou a olhar para o potencial da economia argentina. Nesse sentido, realiza-se no final do próximo mês de Outubro uma missão empresarial à Argentina organizada pela Fundação AIP e a Câmara de Comércio Portugal - Atlântico Sul que conta com o apoio da Embaixada Argentina em Portugal.

 

Tal como tenho vindo a assinalar, as economias argentina e portuguesa são sobretudo complementares. Acresce que, pelo seu conhecimento, reputação e experiência internacionais, as empresas portuguesas dispõem de condições óptimas para aproveitar as enormes oportunidades que, em pleno período de desaceleração global, a Argentina hoje oferece. Nomeadamente nas áreas das energias renováveis e das infra-estruturas.

 

É, portanto, tempo de o empresariado português participar na mudança em curso na Argentina. É, portanto, tempo de intensificarmos as nossas trocas comerciais bilaterais.

 

Embaixador da Argentina em Lisboa

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