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Arnaut, o espelho de um país irreformável

António Arnaut insurgiu-se violentamente contra as propostas do PSD para o sector da saúde.

Vamos deixar de lado a oportunidade da proposta de revisão constitucional do PSD, que não foi a melhor, e os equívocos que contém (uma delas, a revisão da lei laboral, analisada ontem por Helena Garrido). Porque as declarações de Arnaut escondem um País e uma classe política que, por detrás dos chavões revolucionários, vivem com a carteira à direita e coração à esquerda.
O problema de Arnaut é que não entende que o Estado que ajudou a moldar não é um activo, é um passivo: atrapalha mais do que ajuda. Pelo tamanho, pelos recursos que consome, pelo que não "entrega" e porque não se consegue reformar.

Arnaut não percebe que a factura das utopias socialistas que ele e os seus "compagnons de route" puseram na Constituição chegou agora... E que o Estado descobriu, horrorizado, que não a pode pagar. Arnaut, inventor de um SNS cheio de (falsas) promessas, e insustentável no custo, não entende que a despesa pública se paga com impostos, não com emissão de moeda, como se fazia nos gloriosos anos em que foi governante (com os resultados que se conhecem).
É provável que o PS, acossado pelo PSD nas sondagens, alinhe com Arnaut e mande às malvas a reforma do Estado. Mas que não se esqueça de que quanto mais tempo o País adiar essa reforma, mais dolorosa ela será. E que, em última instancia, no dia em que deixarem de nos emprestar dinheiro, o problema fica resolvido: sem dinheiro não há despesa. Logo, não há défice. Por definição. Expliquem isso a Arnaut, "please"!

camilolourenco@gmail.com




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