Luís Todo Bom
Luís Todo Bom 03 de fevereiro de 2013 às 23:30

As fábulas e os equívocos da economia portuguesa

Na actual fase de crise económica e financeira que o país atravessa, por força do processo de consolidação orçamental, redução da dívida pública e externa e reestruturação do sector público, têm surgido um conjunto de equívocos e de fábulas sobre a economia portuguesa, nomeadamente:

Na actual fase de crise económica e financeira que o país atravessa, por força do processo de consolidação orçamental, redução da dívida pública e externa e reestruturação do sector público, têm surgido um conjunto de equívocos e de fábulas sobre a economia portuguesa, nomeadamente:


1.º Equívoco – É possível desenvolver um programa de crescimento sustentável sem estar completamente definido e, em fase avançada de implementação o programa de austeridade e de ajustamento. Nenhum investidor investe nesse clima de incerteza.

1.ª Fábula – Portugal devia acompanhar a Grécia no pedido de um perdão parcial da sua dívida. Esquece-se o caminho penoso que a Argentina ainda hoje percorre e a desconfiança inultrapassável que se cria nos mercados financeiros internacionais, com taxas de juro elevadas a penalizarem por um período longo a recuperação económica do país.

2.º Equívoco – É possível relançar o crescimento nas mesmas bases dos anos anteriores, suportados na procura interna e dispensando o investimento estrangeiro. Não existem capitais próprios nacionais suficientes para relançar o investimento privado e o aumento do consumo interno descontrolado provocaria um novo deficit na balança comercial e um aumento do endividamento externo da economia.

2.ª Fábula – É possível relançar o crescimento sem a reforma do Estado. Além da função financeira estrita, com a economia a não gerar meios suficientes para pagar o Estado actual, a sua ineficiência contribui decisivamente para os constrangimentos e fuga de investidores privados internacionais.

3.º Equívoco – A reforma do Estado é necessária, mas deve ser realizada lentamente e durante um período de tempo muito alargado. Todas as reformas estruturais exigem rapidez para se concretizarem antes que os seus opositores se organizem e fortaleçam, impedindo a sua implementação.

3.ª Fábula – A redução do Estado põe em causa a existência da classe média em Portugal. Os Estados Unidos têm uma classe média pró-activa, exigente e representando uma parcela assinalável da sua população, suportada em quadros médios de empresas privadas.

4.º Equívoco – O problema actual do país é um problema europeu, pelo que tem de ser resolvido pelas instâncias europeias. Os restantes países europeus não estão disponíveis para apoiar um país que não cumpre compromissos. Atenta-se na discussão actual no Reino Unido sobre o eventual abandono da União Europeia.

4.ª Fábula – Devemos prolongar o período de ajustamento, com deficits públicos mais elevados, e manutenção da procura interna. O aumento exponencial do endividamento e o descontrolo da balança comercial provocariam reservas no mercado financeiro, com aumento de taxas de juro, incomportáveis pela economia portuguesa.

Nesta fase de ansiedade nacional vão surgir, todos os dias, novos equívocos e novas fábulas. Casa onde não há pão…

A realidade actual é dura e agreste. Mas, infelizmente, é a realidade.


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