Hugo de Melo e Gomes
Hugo de Melo e Gomes 28 de maio de 2013 às 00:01

As redes sociais e as eleições

Vamos ser sinceros: não é com o Facebook que se ganham eleições. Quer seja para uma coletividade, para uma autarquia ou para a Presidência da República.

Vamos ser sinceros: não é com o Facebook que se ganham eleições. Quer seja para uma coletividade, para uma autarquia ou para a Presidência da República. 


No período eleitoral que se aproxima, brotam diariamente novos perfis Facebook, de candidatos, coligações e movimentos. Alguns francamente bons, outros algo desajustados, a maior parte desadequados, e, passado o "hype" inicial, quase todos desatualizados.

Com pouca estratégia ou planeamento, vê-se de tudo um pouco: perfis pessoais em páginas de fãs, grupos em vez de perfis oficiais, "uploads" de fotografias em massa, discursos pessoais na 3.ª pessoa, vídeos gravados com o iphone, grandes produções de vídeo com música épica, etc.

Não interessa. A batalha é pelo número de seguidores e "likes". E eis que proliferam os "links" patrocinados e a publicidade paga – Mark Zuckerberg agradece.

Mas será que tudo isto faz ganhar eleições?

Enquadremos: a Coca-Cola tem mais de 64 milhões de fãs no Facebook, mas declarou no passado mês de março que o seu "on-line buzz" não teve impacto mensurável nas vendas a curto prazo.

A Syncapse diz-nos, já em 2013, que apenas 39% dos utilizadores de Facebook baseiam as suas escolhas no que por lá veem, embora 66% considere que é um excelente meio para propagar informação.

Por cá, a TMN é a marca com maior número de seguidores e com maior "brand awareness" nos media sociais (segundo a "Socialbakers"), mas consegue um "engagement rate" de apenas 0.051%. Ou seja, este é o valor da sua capacidade de fazer os utilizadores agir a favor da marca.

De volta ao tema deixo a pergunta: quando estamos indecisos em quem votar, vamos ao Facebook? Ao Twitter? Ao Reddit? Ou à fonte?

As redes sociais são excelentes meios para propagar a mensagem sem filtros jornalísticos e para fazer o spread rápido de conteúdo. São locais de excelência para partilhar notícias, opiniões e gerar buzz. Mas isso não se reflete diretamente na ação de colocar a cruzinha no boletim de voto. Não votamos A em vez de B porque este faz mais "posts", coloca mais imagens ou tem mais "likes" ou "followers".

Conteúdo, Credibilidade e Capacidade de motivar e provocar ação no destinatário devem ser as keywords que presidem à presença nas redes sociais. E Conteúdo vem em primeiro lugar.

Depois, os "seguidores", num "approach" muito Obama-like, devem ser motivados, acarinhados, integrados, para deixarem de ser "followers" e passarem a ser embaixadores da "marca", geradores de ações sobre o que advogam e com o qual se identificam. E aí sim, quantos mais melhor.

Mas, chamem-me "old-school", o que ganha eleições é o Conteúdo do projecto e o debate sobre a forma como se encaram as coisas. Através da TV, da rádio, da imprensa, do cara-a-cara, e sim, das redes sociais.

O Facebook não é a panaceia para todos os males. Sim é fácil e é barato, mas não dá milhões. Para as eleições que se aproximam, e ainda por cima com o clima de falta de confiança nos políticos que a sociedade presentemente demonstra, deixo uma sugestão de tecnólogo que sou: como diz Lana Del Rey, "Let’s go back to the basics".

Partner da OOTB.pt. Desde 1994 que trabalha a Internet profissionalmente, tendo já ganho diversos prémios e tendo sido o responsável por 10 campanhas eleitorais digitais em Portugal.

(Este artigo de opinião foi escrito em conformidade com o novo Acordo Ortográfico.)

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