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António Moita 18 de Junho de 2018 às 19:22

As senhoras da pistola dourada

A indústria da construção virou-se definitivamente para a reabilitação urbana, valorizou de forma evidente património degradado, aumentou significativamente a oferta de imóveis.

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Numa narrativa digna de um filme de espionagem, o Bloco de Esquerda vem apresentar uma proposta para acabar com a lei que prevê a atribuição de autorizações de residência para atividade de investimento, os célebres vistos "gold". O argumento é curioso. Em cerca de 5 mil autorizações apenas nove deram origem à criação de emprego.

 

As "senhoras do Bloco" estão agora focadas em lançar a confusão e causar perturbação ao esforço que o Governo, e em especial o primeiro-ministro, tem feito nas múltiplas missões de atração de investimento realizadas com assinalável sucesso. No seu entender, os vistos "gold" provocam especulação imobiliária, tráfico de influências e peculato. Em vez de comunicarem os factos que conhecem ao Ministério Público, como seria sua obrigação, querem pôr fim a uma lei que nos últimos anos atraiu para o país o investimento de que ele tanto carece.

 

É sabido que este mecanismo, em Portugal e noutros países onde vigora, nem sempre contribui para a criação imediata de emprego. Mas ninguém desconhece que o impacto que os investimentos que daqui têm resultado, em especial os que se traduzem na aquisição de imobiliário, tem sido a tábua de salvação de um setor de atividade que estava numa agonia exasperante que conduziu ao encerramento de centenas de empresas e ao desemprego de milhares de trabalhadores muitos deles especializados. A indústria da construção virou-se definitivamente para a reabilitação urbana, valorizou de forma evidente património degradado, aumentou significativamente a oferta de imóveis para arrendamento e para albergar turistas, abriu a possibilidade a milhares de proprietários de gerarem receitas aplicadas em impostos e em melhoria das condições de habitabilidade dos seus imóveis e resultou na criação de milhares de postos de trabalho.

 

O que tanto tem custado a construir desde a intervenção externa que alguns parecem já ter esquecido pode muito bem ser destruído com manifestações de desconforto com o crescimento económico, com o sucesso das empresas e com a melhoria das condições de vida dos portugueses. O Bloco de Esquerda deixou de ser um parceiro de governação confiável. Pé ante pé vai abrindo brechas na relação com os socialistas. Destruir a confiança no país é a melhor forma de pôr a governação de António Costa em causa. Tudo a pensar nas próximas eleições. A ver vamos se o primeiro-ministro permite que estas "serial killers" continuem a disparar a sua pistola dourada.

 

Jurista

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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