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As lições de 1992 e o futuro do Euro

Em 1992, o Sistema Monetário Europeu, precursor da União Monetária, enfrentava a sua pior crise em 13 anos de existência.

Em 1992, o Sistema Monetário Europeu, precursor da União Monetária, enfrentava a sua pior crise em 13 anos de existência. Os países que o compunham tentavam salvá-lo da pressão especulativa que assentara baterias contra Itália e Inglaterra.

A certa altura o Bundesbank, colocado entre a inevitabilidade de vender marcos e comprar liras (para evitar que a lira furasse o intervalo máximo de flutuação cambial) ou deixar a Itália à deriva, optou pela segunda. Razão: a estabilidade monetária, ou seja inflação baixa, era mais importante para a Alemanha do que a "obrigação" de apoiar o projecto europeu (a Itália acabou corrida do SME). Então, como agora, os problemas de Itália eram os mesmos: irresponsabilidade financeira e falta de competitividade.

O que estamos a viver é uma fotocópia de 1992. Há diferenças? Há. Em vez de moedas temos dívida soberana; em vez de Itália e Inglaterra temos Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália. Mas há uma semelhança, tirada a papel químico: os problemas que afectam o Euro são, grosso modo, os mesmos do SME (desequilíbrios orçamentais e falta de competitividade das economias). E há outra semelhança com 1992: o projecto não subsiste sem a Alemanha.

Em 1992, a Europa ficou a saber que não se bate os mercados sem armas adequadas (a propósito, apesar do "downgrade" os investidores continuaram a comprar "Treasuries" americanas…). E se isso era verdade em 1992 é-o, por maioria de razão, agora. Só não é seguro que os intervenientes o tenham percebido. Uma coisa é certa: se o Euro quebrar, as consequências serão bem diferentes das de 1992. O estrondo (recessão) far-se-á sentir em todo o mundo. Alemanha incluída.
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