Fernando  Sobral
Fernando Sobral 08 de abril de 2012 às 23:30

As lições de Stamford Bridge

futebol também é feito de detalhes e de jogadas episódicas. Foi isso que eliminou um Benfica demasiado receoso na Luz e confiante em Stamford Bridge contra o Chelsea.
O futebol também é feito de detalhes e de jogadas episódicas. Foi isso que eliminou um Benfica demasiado receoso na Luz e confiante em Stamford Bridge contra o Chelsea. Houve um momento em que se viu a diferença geracional entre os dois clubes: a parte final do jogo em Londres, quando o sr. Jesus lançou o sr. Nelson Oliveira, o sr. Djaló e o sr. Rodrigo, mostrou o ocaso de uma equipa e a fonte da juventude de outra. Mas o governo do encontro, para o Benfica, tinha-se perdido em Lisboa. De resto foram os detalhes que determinam a história do futebol: a inexistência de centrais de raiz, um cartão vermelho escusado, a impossibilidade de matar um jogo.

Não há vitórias morais no futebol: a história só regista as vitórias reais. Mas, em Londres, viu-se o Chelsea em final de um ciclo, um clube que tendo 11 jogadores em campo recua e defende contra 10. Hoje o Chelsea é uma equipa defensiva, consciente da sua idade e também da sua experiência. Nada como ter um treinador italiano, o sr. Di Matteo, para a tornar ainda mais defensiva. O Chelsea tem horror à velocidade. Quando a empregou, na parte final do jogo, o Benfica ia destruindo essa equipa de fantasmas e medos escondidos. Há clubes que se cansam para não perder: é o caso do Chelsea. Espera que a inocência adversária disfarce a sua falta de leveza criativa. E lá atrás está o sr. Cech, herói de muitas lutas, para conferir a segurança que já não existe mais à frente.

Contra um Benfica improvisado, o Chelsea socorreu-se da experiência para anular a fogosidade. O Benfica caiu em Londres mas seria por certo muito mais interessante ver os encarnados contra o Barcelona do que esta equipa do Chelsea. O futebol do Barcelona é hoje um labirinto de passes e um território de enigmas. Muitos deles impossíveis de decifrar, num 3-4-3 que roda, sem ponta-de-lança fixo, e onde o sr. Messi emerge numa cavalgada de médios. Há ali algo da velha dança holandesa que o sr. Cruyff deixou ao Barcelona e que hoje é executada com requinte desde as escolas do clube. O Barcelona criou uma estética. Pode trocar jogadores como se fossem bailarinos que dão lugar a outros para executar os mesmos movimentos. O Benfica, por exemplo, poderia aprender isso. É no miolo que se faz e se desfaz este Barcelona, onde os extremos permitem abrir depois o caminho à forte densidade de médios que trocam a bola como se ela estivesse colada aos seus sapatos.

Teria sido bonito ver este Barcelona contra o Benfica. Mas contra um Chelsea que se colocará atrás da linha da bola à espera de um erro, será talvez um jogo enervante e sujo. A meia-final da Liga dos Campeões merecia um jogo mais vibrante. Para mostrar a juventude que o sr. Jorge Jesus tem no banco. E com isso ganhar o espectáculo.

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