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Fernando Sobral fsobral@negocios.pt 02 de Dezembro de 2010 às 12:25

As obras e os votos

Em Portugal a política alimenta-se de obras públicas.

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São elas que iluminam os discursos, garantem a memória de pequenos, médios e grandes líderes em placas comemorativas e simbolizam o desenvolvimento. Mostrar obra, mesmo que ela seja uma desnecessidade absoluta, tornou-se o símbolo da boa gestão. É por isso que é preciso fazer rotundas, aeroportos ou TGVs. Que sobra da gestão política de hoje senão as obras que relembram os líderes? É por isso que os governantes vivem fascinados pela sua pequena obra de regime. Isso garante votos. E de que é que se alimenta um político? Mais de votos do que de hambúrgueres. A crise, como se sabe, é inimiga das obras e os políticos terão de usar a imaginação. Nascerão as obras de fachada. Com uma vantagem: custarão menos dinheiro. Agora que os mercados saltam sobre Portugal para chegar à Espanha, é impossível deixar de acreditar que vem aí mais austeridade. O Governo salta à corda com despreocupação, mas a sua emoção infantil é fatal. A Comissão Europeia já avisou que há mais austeridade ao dobrar da esquina. Ninguém liga ao que dizem os galhardos porta-vozes do Executivo, de Santos Silva a Vieira da Silva. Eles não pregam no deserto. Eles são o deserto. São os Silvas de Sócrates, o "seu" Feliz e o "seu" Contente. Nem vale a pena desmentirem-se, porque as suas palavras são ocas. Portugal é só uma bala na roleta russa que ameaça a cabeça do euro. A Espanha vale muito mais balas. O drama político é que mais austeridade trará menos obras. Dará menos votos. E assim, de que é que se alimentará a classe política?
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