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As ruínas de Lisboa

Lisboa quer ser uma cidade cosmopolita mas arrisca-se a ser apenas a sede de uma empresa de demolição da sua própria memória arquitectónica.

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Há prédios que têm de cair, há outros que devem ser implodidos, mas não é necessário tapar os ouvidos, fechar os olhos e calar a boca sobre a tendência de autodestruição da capital. As baixas rendas e a necessidade de se construírem casas novas pode explicar muita coisa, mas não são razão suficiente para esta impávida e serena forma de olharmos para os prédios que caem ou que, de janelas abertas, esperam a sua vez para cair.

Olhe-se para as ruas que a Avenida da Liberdade esconde dos turistas, para Alfama, para os Anjos, Intendente ou Martim Moniz. Lisboa já não tem rugas: envelheceu precocemente. Lisboa precisa de uma trégua na sua guerra civil contra os habitantes que resistem a sair do coração da capital. Precisa de uma política séria de habitação. Necessita de repovoar o seu centro e não de afastar quem habita perto do Terreiro do Paço.

Não deve atirar os ministérios para os arredores, porque sem o funcionalismo, toda a malha comercial da Baixa ruirá. Como os edifícios. Como a cidade.

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