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Francisco Jaime Quesado 16 de Abril de 2007 às 13:59

Assim falou Manuel Castells em Lisboa

Há sete anos Lisboa foi palco da Cimeira Europeia onde se lançou a célebre "Estratégia" destinada a fazer do Velho Continente "o espaço económico mais dinâmico e competitivo do mundo baseado no conhecimento e capaz de garantir um crescimento económico sus

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Sete anos depois, numa altura em que um pouco por toda a Europa se questiona a verdadeira "convergência" da Estratégia, Lisboa volta a ter na agenda as questões estratégicas do Conhecimento, no quadro da resposta necessária que se tem que dar à definição das opções de modelo de desenvolvimento a protagonizar pelos actores da sociedade civil. Mais do que nunca importa definir os elementos centrais dum roteiro para uma nova convergência competitiva que permita protagonizar um novo ciclo de abordagem estratégica para o país. Assim falou Manuel Castells, em recente conferência em Lisboa.

A Nova Agenda

Estará já Portugal na rota do conhecimento, sete anos depois do início processual da "Estratégia" e numa altura em que os desafios da "Sociedade em Rede" ganham contornos de complexidade com as novas dimensões do "Global Risks" protagonizados pelo terrorismo internacional, agenda do desenvolvimento sustentável e ajuda ao Terceiro Mundo, temáticas ainda recentemente equacionadas por Thomas Friedman no seu recente " The World is Flat"? Será Lisboa 2007 um tempo oportuno para efectivamente revisitar a propósito destes cinco anos de implementação da Estratégia os "pontos críticos de distinção" que poderão ainda dar alguma oportunidade à Europa num quadro global difícil, onde China e Índia se afirmam como novos players com "capacidade sustentada" antes impensável?

É importante que os actores que reinvidicam no terreno a Sociedade do Conhecimento saibam traçar pistas concretas sobre a evolução adequada dos "pontos de convergência estratégica" da Agenda de Lisboa. Ou seja, é importante que no quadro dum processo sustentado de revisão da Estratégia de Lisboa, seis anos depois se possa dar uma "ideia" concreta do caminho a seguir pelos países europeus (onde Portugal tem que saber ter um papel específico) na absorção, difusão, generalização e sobretudo alavancagem das políticas junto do conhecimento. A certeza de que a partir do conhecimento se criarão as condições para reforçar a competitividade endógena das estruturas de criação de valor numa lógica de repartição e reforço da coesão da sociedade civil. Esta "Nova Agenda" implica uma transformação estrutural completa das condições objectivas de abordagem dos desafios da concorrência internacional e dum novo paradigma de excelência competitiva.

As Novas Ideias

Na Globalização de que nos fala Manuel Castells, fica clara a mensagem da responsabilidade do Mundo Ocidental na promoção e consolidação duma lógica de "maior equidade internacional" e oradores como Prahalad, de Harvard, sustentaram a existência de "dinâmicas operacionais concretas" que permitam dar corpo a esta estratégia essencial. Em Lisboa, é importante que ao nível das diferentes políticas da "Estratégia" sejam consolidadas "novas ideias":

– Qual o caminho a dar às TIC enquanto instrumentos centrais duma política activa de intervenção ao nível da sociedade da informação e do conhecimento como matriz transversal da renovação social?

– Qual a forma possível de fazer das empresas (e em particular das PME) os actores relevantes na criação e valor e garantia de padrões de qualidade e vida social adequados, num cenário de crescente "deslocalização" económica?

– Qual o papel efectivo da educação como quadro referencial essencial da adequação dos actores sociais aos novos desafios da sociedade do conhecimento? Os actores do conhecimento de que tanto se precisa são "educados" ou "formados"?

– Qual o papel do I&D enquanto área capaz de fazer o compromisso necessário entre a urgência da ciência e a inevitabilidade da sua mais do que necessária aplicabilidade prática para efeitos de indução duma cultura estruturada de inovação?

– Qual o sentido efectivo das políticas de empregabilidade e inclusão social enquanto instrumentos de promoção dum objectivo global de coesão social? O que fazer de todos os que pelo desemprego se sentem cada vez mais marginalizados pelo sistema?

A Nova Identidade

Em 2000 Manuel Castells, nos documentos preparatórios da Cimeira Europeia de Lisboa produziu um interessante texto sobre a "construção da identidade europeia". Este é claramente um desígnio mais do que essencial para garantir a legitimidade institucional das plataformas estratégicas de inovação e conhecimento em construção. Não se pode contudo aspirar a uma "identidade europeia" sem lançar os eixos estratégicos que permitam a afirmação de "actores europeus". Agentes empreendedores e proactivos, capazes de pelo conhecimento induzir na sociedade civil dinâmicas de distinção e qualificação.

Quando se fala em "nova identidade" pretende-se colocar a tónica numa capacidade diferente dos actores /cidadãos nesta Nova Sociedade em Rede assumirem o seu Capital de Relacionamento com todos os seus interlocutores, nomeadamente do ponto de vista da consolidação de "projectos colaborativos" com dimensão estratégica estruturante. É esse claramente o caminho em que deve assentar a "Convergência Competitiva" por que todos ambicionamos e deve fazer parte da nossa agenda colectiva construir passo a passo o roteiro da concretização desse objectivo.

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