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Até a esquerda já percebeu?

Quem olhar para as declarações produzidas nos últimos dias, a propósito das finanças públicas, percebe duas coisas

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Quem olhar para as declarações produzidas nos últimos dias, a propósito das finanças públicas, percebe duas coisas: a percepção da gravidade da situação; a generalização dessa percepção a "opinion makers" e analistas de esquerda. Ontem, por exemplo, João Ferreira do Amaral lembrava a este jornal que "se continuarmos neste caminho, é inevitável ficarmos sem financiamento externo". Murteira Nabo, outra voz de peso desta área, dizia que "face aos dados que temos, são precisas medidas adicionais", realçando que o Estado tem um peso excessivo na Economia.

Esta alteração do "mood" do País, abrangendo personalidades da esquerda, é nova (até porque se sabe que outras vozes desta área, em privado, já fizeram saber a José Sócrates que a situação é insustentável e que o Governo não pode adiar cortes na despesa). E devia constituir um passo importante para o Governo arrepiar caminho, deixando de empurrar com a barriga: esperar que o crescimento económico gere receita fiscal suficiente para evitar cortes na despesa corrente. Cortando, inclusive, nos salários que paga aos seus servidores (se a Espanha e a Grécia, de governos socialistas, o fizeram...).

O problema é que a sensação de urgência não chegou ao Governo, que insiste na ideia de que a despesa está a desacelerar e de que as receitas fiscais estão em franca recuperação. Como se, atendendo à gravidade da situação, ainda nos pudéssemos dar ao luxo de ter a despesa a crescer... Talvez seja altura de juntar um grupo de vozes respeitadas na esquerda que, em vez de declarações isoladas, produzam um manifesto que obrigue o Governo a actuar.

camilolourenco@gmail.com



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