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Até quando resistem os Estados Unidos?

Os Estados Unidos olham com natural apreensão para esta crise económica que assola a Europa.

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Os Estados Unidos olham com natural apreensão para esta crise económica que assola a Europa. Mas, na realidade, a maior parte dos analistas e investidores norte-americanos olha para a crise europeia como algo que afectará a Economia dos Estados Unidos mas sem um impacto de grandeza assinalável.

Acredito que as repercussões desta crise económica europeia terão consequências maiores do que esses "moderados efeitos secundários" que têm sido aventados e descontados nas Bolsas norte-americanas. O risco não é apenas aquele a que estão expostas muitas empresas norte-americanas com investimentos na Europa ou que tenham uma grande parte da sua procura nos mercados europeus. Há também o risco de que a dificuldade de financiamento que a Europa começa a encontrar se possa alastrar aos Estados Unidos.

A dívida pública norte-americana é monstruosa e, se os investidores começarem a percepcionar essa dívida com um risco maior do que tradicionalmente o têm feito, a situação do lado de lá do Atlântico também se complica. Dirão alguns que um país com o poderio militar dos Estados Unidos é mais difícil de "atacar" financeiramente. Verdade. Mas a Europa como um todo também o deveria ser. É verdade que os Estados Unidos têm a vantagem de serem uma verdadeira nação e terem um só Governo, mas isso não os coloca a salvo do mercado começar a exigir mais dinheiro para continuar a alimentar a gigantesca dívida que continua a ser criada nos Estados Unidos.

A própria Fed tem noção disso e a decisão concertada da passada semana, em conjunto com os principais Bancos Centrais Europeus, mostra que estão determinados em tentarem estancar a sangria europeia. No fundo, actuando desta forma, os principais bancos Centrais estão a colocar pressão na China que terá cada vez mais dificuldades em não valorizar a sua moeda, algo que tem sido um dos grandes princípios de actuação desta nova grande potência.

Em termos técnicos, desde o Verão deste ano, despi o meu fato de touro no mercado norte-americano. Como sempre, não foram as questões fundamentais que estiveram na génese desta minha opinião, mas sim factores técnicos. A quebra da zona de suporte do S&P entre os 1225 e os 1265 pontos, para mim, foi o sinal de que o mercado americano viu chegar ao final um "Bull Market" que durava há quase 2 anos e meio.

É verdade que, para eu ter mais certezas de se ter iniciado um novo "Bear Market", necessito de outro forte sinal de fraqueza que será a quebra da zona de suporte entre os 1040 e os 1070 pontos mas, em termos de curto e médio prazo, a bola já está do lado dos ursos. Mesmo as fortes subidas do mês de Outubro terminaram junto à nova zona de resistência (antigo suporte). É preciso que essa zona seja quebrada, em alta, para eu mudar de ideias e voltar a vestir o meu quente fato de touro.

Naturalmente que, tal como escrevi anteriormente, se o mercado mostrar força e voltar a recuperar consistentemente a zona dos 1270 pontos, isso alterará por completo a minha visão e, naturalmente, a minha estratégia. E, com as subidas da última semana, não estamos muito longe desses valores.

Estou certo que a maioria dos americanos continuarão a olhar para a crise na Europa como algo que os prejudica mas que está longe e jamais lhes poderá bater à porta. Mas, infelizmente, acredito que mais cedo ou mais tarde isso irá acontecer. Porque os Estados Unidos, tal como muitos países europeus, são peritos em gastar dinheiro sem se preocuparem com as gerações futuras. E quem assim pensa, um dia irá queixar-se dos mercados e dos especuladores. Não deixassem a porta aberta.

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Analista Dif Brokers
ulisses.pereira@difbroker.com

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