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Aumentos salariais para 2010? Falso problema...

Entre 2001 e 2008, os salários reais subiram em Portugal, em média, cerca de 0,3%. Nos primeiros seis meses de 2010, segundo o Banco de Portugal, o aumento foi de 3,5% (contratação colectiva).

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Entre 2001 e 2008, os salários reais subiram em Portugal, em média, cerca de 0,3%. Nos primeiros seis meses de 2010, segundo o Banco de Portugal, o aumento foi de 3,5% (contratação colectiva). Resultado: os salários deverão crescer em 2009 mais do que nos sete anos anteriores, cortesia da inflação negativa. É isso que leva os dirigentes empresariais a dizerem que não pode haver aumentos em 2010. Como é de esperar, os sindicatos não estão pelos ajustes e defendem o contrário.

Não é preciso ser doutorado em Economia para perceber que em 2010 os aumentos devem, na melhor das hipóteses, ser nulos: se o custo de vida não sobe, não faz sentido aumentar salários. Mas há outra razão que deveria levar os sindicatos a serem comedidos: o disparo do desemprego, cuja dimensão não se vislumbrava em 2008, quando os aumentos foram negociados.

É por isso que os empresários não precisam de se preocupar muito com o assunto. A experiência das duas últimas décadas mostra que os trabalhadores, quando confrontados com ameaça de desemprego, são sensatos: preferem um pássaro na mão (emprego) que dois a voar (perda do posto de trabalho e de rendimento). E costumam mandar às malvas o irrealismo dos sindicatos. Como a maior subida do desemprego deve ocorrer entre o segundo semestre de 2009 e o primeiro de 2010, é fácil perceber por que os empresários deveriam preocupar-se com outras coisas. Como a sua responsabilidade no nosso baixo nível de produtividade, por exemplo.

camilolourenco@gmail.com
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