Ulisses Pereira
Ulisses Pereira 11 de setembro de 2016 às 20:40

BCP e o calvário dos aumentos de capital

O BCP continua a ser a acção que mais debate gera entre os pequenos investidores. O baixo valor a que está cotada faz com que seja uma tentação para muitos que continuam a acreditar que não pode descer mais.

Curiosamente, esse é um argumento que tenho ouvido desde que a acção quebrou a zona do 1 euro e que se mantém agora que a acção perdeu mais de 98% desde aí.


Na passada semana, a JP Morgan divulgou um "research" onde estimou que o BCP necessita aprovisionar cerca de 1,3 mil milhões de euros face ao crédito mal parado. Se somarmos a este número os 750 milhões de euros de dívida ao Estado em Coco`s, chegaremos a um total que representa cerca do dobro da capitalização bolsista do BCP! É verdade que Nuno Amado e a sua equipa já tinham considerado necessário aprovisionar valores elevados nos próximos anos mas, naturalmente, isso terá impacto nos resultados.

Um dos aspectos mais assustadores no BCP é a quantidade de aumentos de capital que o Banco fez na última década. Foram 9 aumentos de capital em 10 anos, passando de 3 mil milhões de acções em circulação para cerca de 59 mil milhões! Números impressionantes que mostram quão mal tratados têm sido os accionistas e como o BCP tem sido uma autêntica máquina de queimar dinheiro dos seus accionistas. Face aos números que apresentei acima, o espectro de mais um aumento de capital continua em cima da mesa e é natural que, enquanto isso não estiver claramente definido, as mãos fortes não entrem no BCP.

A proposta feita pela pela Fosun para adquirir uma posição até 30% no Banco tem sido referida pelos touros como uma boa notícia. Mas se a Administração do BCP acha que o Banco está subavaliado não deveria estar tão entusiasmada com essa notícia e deveria privilegiar os seus accionistas num aumento de capital. Mas, em bom rigor, Nuno Amado e a sua equipa sabem que esta é a única forma do Banco evitar um gigantesco aumento de capital. Não me surpreenderia que a entrada da Fosun fosse acompanhada de um aumento de capital reservado a accionistas mas sem a dimensão brutal que teria se não existisse esta proposta da Fosun.

Em termos técnicos, o BCP continua sem dar qualquer sinal de força que me faça despir o fato de urso. Aqueles que, nos últimos meses, têm ousado contrariar a tendência e tentado encontrar o fundo têm saído com as mãos cortadas, nesse perigoso mas estimulante desafio de tentar apanhar facas a cair. Tenho vindo a descer a minha fronteira entre o "Bear" e o "Bull Market" no BCP. No final do ano passado era a zona dos 0,064 euros, no primeiro trimestre deste ano passou para os 0,046 e agora essa fronteira encontra-se na zona dos 0,031 euros. Enquanto essa resistência não for quebrada, continuo de braço dado com os ursos embora, caso a acção quebre a linha de tendência descendente, dê um primeiro sinal de força que não deve ser ignorado.

Além do gráfico de curto prazo, optei por colocar também um de muito longo prazo. Mostra bem o que foi a destruição de valor no BCP, o que aconteceu aos inúmeros aumentos de capital que foram sendo realizados e a ascensão e queda de um império. Hoje a acção está praticamente em mínimos históricos.

Não será a Fosun, a JP Morgan, o pagamento dos Coco`s ou outra qualquer notícia que me fará despir o fato de urso. Será a força da acção no mercado. Quando os investidores a sério regressarem à acção quebrando resistências, algo mudou. Até que isso aconteça, nada de novo. Apenas mais um dia na triste história de uma acção que já foi grande. 























































Nem Ulisses Pereira, nem os seus clientes, nem a DIF Brokers detêm posição sobre os activos analisados. Deve ser consultado o disclaimer integral aqui


Analista Dif Brokers
ulisses.pereira@difbroker.com







Nem Ulisses Pereira, nem os seus clientes, nem a DIF Brokers detêm posição sobre os activos analisados. Deve ser consultado o disclaimer integral aqui


Analista Dif Brokers
ulisses.pereira@difbroker.com

Nem Ulisses Pereira, nem os seus clientes, nem a DIF Brokers detêm posição sobre os activos analisados. Deve ser consultado o disclaimer integral aqui


Analista Dif Brokers
ulisses.pereira@difbroker.com

pub

Marketing Automation certified by E-GOI