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Mário Negreiros 20 de Junho de 2006 às 13:59

Bussunda e a morte

Bussunda morreu. Tinha 44 anos, histórias de cardiopatia na família, jogou uma partida de futebol, sentiu-se mal e morreu. Morreu neste domingo na Alemanha, onde fazia graças em torno do Mundial para jornais brasileiros e para a TV Globo. Era um dos integ

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O «Jornal do Brasil» tinha uma secção semanal em que fazia uma série de perguntas, sempre as mesmas, a personalidades conhecidas. Uma das perguntas era «qual o lugar mais estranho em que já fez amor». As respostas esperadas eram tais como «em cima de um frigorífico» ou «nas escadas rolantes de um shopping» , mas a resposta mais estapafúrdia foi, de longe, a de Bussunda: «em São Paulo». Humor fino, daquele que afaga a inteligência de quem se ri.

O humor que mereça esse nome não poupa nada nem ninguém. Muito menos a Morte, que há-de ser personagem obrigatória no rol de qualquer humorista que se preze. Quando se abate sobre um humorista, a Morte confirma toda a sua falta de humor. Porque é sem humor - nem bom nem mau - que se abate. A Morte não ri por último porque a Morte não ri. A morte é sisuda. Não brinca em serviço. E está sempre em serviço - a mais diligente funcionária do Destino. E é sisudamente, sem riso nem ofensa, que a morte ceifa quem dela se ri. Uma chata!

Bussunda era o que, nos programas do «Casseta e Planeta», encarnava o presidente Lula. E era, como farsa, absolutamente convincente. Chegava àquela verosimilhança que, sem nunca tentar disfarçar a condição de farsa, tem o poder de inverter as coisas a ponto de o imitado se tornar um imitador apenas razoável de quem o imita ou, neste caso específico, de fazer de Lula um imitador apenas razoável de Bussunda a imitar o Lula.

Bussunda morreu de morte rápida, no meio de uma carreira cujo sucesso não era, com certeza, esperado por nenhum dos fundadores do horrível jornal «Casseta Popular» - que, unido ao «Planeta Diário» (o do Super-homem), gerou o grupo «Casseta e Planeta (»casseta» também serve como mais um nome para o, chamemo-lo assim, «órgão-sexual-masculino», e Bussunda dizia dever tudo à casseta - «a popular e a minha mesmo»). E morreu quando estava lá, no centro do principal acontecimento do futebol mundial, que ele adorava. Uma morte santa, se as houvesse.

Uma morte detestável, de facto. Deixou uma viúva, uma órfã pequenina e um Brasil que bem precisa de quem o faça rir-se de si próprio.

PS: Começam a apodrecer os andaimes postos em torno do Palácio do Egipto ainda pela antiga presidente da Câmara de Oeiras, Teresa Zambujo, e mantidos pelo actual, Isaltino Morais. Parte dos andaimes invade o pouco de passeio que não é tomado pelos carros que fazem dele estacionamento. E nem da adjudicação da obra (andaimes lembram obra, ou não?) tenho notícia.

PPS: Conhecem aquelas caixas afixadas em postes onde, teoricamente, deviam estar sacos de plástico para recolher a caca dos nossos amados cãezinhos? Há centenas delas em Oeiras. Desafio qualquer um a encontrar uma delas com sacos dentro.

PPPS: Em andaimes a apodrecer ociosos ou em caixas vazias, isto é tudo a brincar.

PPPPS: Carros, rua!

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