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Rui Neves - Jornalista ruineves@negocios.pt 18 de Setembro de 2012 às 23:30

Canudo de Ferraz aumenta o PIB!

O dono da Fly London, a marca portuguesa de sapatos que mais vende no mundo, é doutorado pela Universidade da Vida. Começou a trabalhar aos 14 anos, numa fábrica de calçado. Fez a guerra colonial em Angola, numa localidade que dá nome ao seu grupo empresarial – Kyaia. Passou pelo pior que pode acontecer a um pai. Mas desistir, nunca.

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Carvalho da Silva - Acabei de lhe citar um empresário, dos que têm mais êxito em Portugal, que diz sobre estas medidas...

Ferraz da Costa - Mas não é grande especialista em macroeconomia...

Carvalho da Silva – Não andou em nenhuma universidade [ironizou]...

(in TVI24)

Eis o homem em destaque: Fortunato Frederico, maior fabricante português de calçado e presidente da associação do sector (APICCAPS). A propósito da redução da Taxa Social Única (TSU) e do aumento das contribuições dos trabalhadores, o ex-presidente da CGTP citou este empresário, que disse que não era com estas medidas que iria vender mais sapatos, para convencer o presidente do Fórum para a Competitividade do quanto a decisão do Governo é imoral e contrária aos objectivos que pretende atingir. Ferraz da Costa, o mesmo que em tempos lutou pelo fim do salário mínimo, ficou indignado com a chamada à discussão de um sapateiro em agregados da economia.

E esqueceu-se que, em defesa das medidas governamentais, tem consigo apenas meia dúzia de licenciados. Do lado contrário da barricada tem todos os restantes portugueses, incluindo António Saraiva, presidente da CIP, cargo que Costa também já ocupou.

Tal como o Sr. Saraiva, um ex-sindicalista que se tornou patrão dos patrões, o Sr. Fortunato não é licenciado. Nem em macroeconomia nem em experimentalismos económico-sociais. O dono da Fly London, a marca portuguesa de sapatos que mais vende no mundo, é doutorado pela Universidade da Vida. Começou a trabalhar aos 14 anos, numa fábrica de calçado. Fez a guerra colonial em Angola, numa localidade que dá nome ao seu grupo empresarial – Kyaia. Passou pelo pior que pode acontecer a um pai. Mas desistir, nunca. É hoje dono de um império de calçado que factura perto de 60 milhões de euros e emprega cerca de 600 pessoas.

E é presidente, desde 1998, da APICCAPS, a associação que agrega os interesses, comanda, monitoriza e aponta caminhos a um sector feito de competência, qualidade, design, inovação, cumprimento de prazos. Foi Fortunato que liderou a revolução: depois da saída da esmagadora maioria das multinacionais, os fabricantes portugueses tomaram em mãos o destino desta indústria e traçaram um plano estratégico. Com sucesso. Portugal vende 98% do calçado que produz nos mercados externos, é o segundo mais caro a nível mundial, só atrás do italiano, e continua a deter o estatuto de sector que mais positivamente contribui para a balança comercial nacional.

Fortunato não é doutor nem engenheiro. É um senhor. Empresário. Grande. "Don’t walk, Fly".

* Coordenador do Negócios Porto
Visto por dentro é um espaço de opinião de jornalistas do Negócios

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