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Luísa Bessa lbessa@mediafin.pt 03 de Janeiro de 2006 às 13:59

Casa arrumada

E ainda faltam (quase) três semanas. Nem sequer começou a campanha eleitoral propriamente dita e as presidenciais já provocam bocejos. Muito por efeito da antecipação dos debates, para evitar a coincidência natalícia, e chegamos a (quase) três semanas de

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O que podem os candidatos dizer de novo, nos dias que restam, depois dos foguetes lançados e da festa feita em 2005? Paradoxalmente, ainda pouco lhes ouvimos sobre questões de substância, mais sobre o futuro do que sobre o passado. Por exemplo, sobre a política externa, onde o Presidente da República tem uma importante palavra a dizer, ou sobre a Europa. E sobre o entendimento dos poderes presidenciais o debate pouco ultrapassou a já gasta conversa entre o «moderador» de Mário Soares e a «cooperação» de Cavaco Silva. Descubra as diferenças quem for capaz. E se preciso for que venham mais debates, desta vez a seis, que só Cavaco parece ter resistências ou falta de tempo para eles.

Apesar da «falta de sono» que a provável vitória de Cavaco Silva pode provocar a uns poucos, o país entrou na normalidade. Dificilmente se reeditará em 2005 a dramatização que permitiu a Soares bater Freitas em 1985.

Mais de três décadas depois do 25 de Abril, a democracia está consolidada e perfeitamente integrada na casa europeia. O regime não está em risco e não há Presidente da República capaz de semear a instabilidade numa maioria coesa e ainda por cima absoluta. A menos que não seja coesa. Porque convém não esquecer que as anteriores maiorias caíram mais por erosão interna do que pela força das oposições.

2006, ao contrário do ano anterior, tem contudo uma vantagem. Arrumadas as presidenciais, termina o ciclo de eleições e acabam-se as desculpas. Em 2005, o Governo, apesar do inequívoco mandato recebido nas urnas, precisou de ganhar tempo. Tempo para fazer o trabalho de casa porque, à boa maneira portuguesa, apesar de ter reclamado eleições, o PS não estava preparado para elas. Tempo porque, apesar de ser reconhecido por todos o mau estado das contas públicas e a dimensão do défice sem receitas extraordinárias, o Governo precisou da legitimação externa da Comissão Constâncio II. Tempo porque, apesar da maioria absoluta, ainda houve que passar a prova das autárquicas e o drama das presidenciais.

Com tudo isso arrumado é altura de começar a mexer. Em primeiro lugar, esperam-se passos significativos na reforma do Estado, em especial do Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado. Até se aceita que seja preciso fazer mais um diagnóstico mas que, por uma vez, se passe à acção e que algumas decisões sobre extinção de serviços redundantes se vejam já em 2006.

E até Manuel Pinho pode finalmente começar a ser ministro da Economia. Resolvido o problema da ENI na Galp e com os dedos cruzados à espera que a solução funcione, chegou a hora do Plano Tecnológico. Já não de o apresentar mas de o pôr em prática, agora tutelado por Sócrates. Quanto aos grandes projectos eles estão aí mas, como se sabe, nem vão contribuir para o crescimento da economia em 2006 nem para a resolução dos problemas estruturais. Resta pôr o Estado e as empresas a remar para o mesmo lado.

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