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Antonio Busca 14 de Julho de 2020 às 10:25

Cashflow em crise: o que devem fazer os CFOs?

O dinheiro é o rei. No entanto, neste novo contexto que estamos a viver, o que antes era considerado como um bom fundo de maneio mudou radicalmente.

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Entretanto, decisões difíceis tiveram de ser tomadas. Sempre que possível os pagamentos foram diferidos e os ativos circulantes foram reavaliados. Agora os CFOs precisam compreender como é que as suas escolhas se irão refletir futuramente nos fundos de maneio, e decidir rapidamente qual será a melhor forma de o gerirem no longo prazo. O objetivo é aumentar os níveis de resiliência sem perder a agilidade.

Equilíbrio e Resiliência

 

Passada a fase inicial da redução dos custos, os CFOs deverão focar agora os seus esforços em pôr a resiliência no centro das suas estratégias. O primeiro passo será avaliarem atentamente o seu modelo de custos, de modo a perceberem como se formam os custos, a produtividade e como se estabelecem as prioridades nas várias áreas das suas empresas. Contudo, 86% dos CFO ainda está a planear implementar medidas de contenção de custos. Para poderem identificar a informação necessária, os CFOs terão de aceder a dados de todas as áreas da empresa e para tal será necessário trabalharem mais de perto com cada um dos vários departamentos. Só assim poderão tomar decisões rigorosas e conjuntas, usufruindo dos benefícios advindos da partilha de dados e da colaboração, e decidir de forma mais informada onde devem proceder a cortes adicionais de custos.

 

Por outro lado, esta abordagem garantirá que os CFOs poderão contar com o apoio dos seus colegas para decidirem quão relevantes são as despesas remanescentes. Deste modo, poderão também ter mais facilitada a tarefa de encontrar o equilíbrio necessário entre a redução dos custos e o potencial impacto que estas decisões poderão vir a ter nos níveis de desempenho dos negócios.

 

A partir deste momento, o esforço dos CFOs deverá focar-se na criação de estratégias financeiras que sejam suficientemente resilientes para as suas empresas. Por exemplo, criando uma almofada financeira robusta que poderá passar por ter três meses de reservas de caixa disponíveis, ou por criar stocks que permitam às empresas suportar as suas operações em períodos de disrupção.

 

Os CFOs têm de assegurar o mais possível a continuidade dos negócios, mas precisam igualmente de desenvolver mais planos para lidar com as situações inesperadas que possam surgir no futuro. A realização de análises rápidas dos impactos e do planeamento de possíveis e mais cenários, ajudará a criar os níveis de resiliência necessários, bem como a responder às necessidades atuais e a explorar potenciais situações que possam surgir no futuro, e que sejam impossíveis ou difíceis de prever no presente.

 

Uma área onde iremos assistir para já a mais investimentos do que a reduções de custos, será a das cadeias de abastecimento. O que aconteceu à maioria das lojas de rua no início desta crise, pôs em evidência a facilidade com que negócios lucrativos podem ser rápida e fortemente afetados pelo impacto do cashflow. Uma maior compreensão e colaboração com as operações das cadeias de abastecimento contribui para atenuar esta situação. O investimento nas cadeias de abastecimento é fundamental para mitigar os níveis de exposição futura das empresas e dos seus negócios.

CFOs os grandes protagonistas

 

Para sobreviver a tempos difíceis é preciso que tanto o planeamento como o scenario modelling contínuos sejam transformados numa prioridade. Neste contexto, os CFOs terão de poder aceder mais facilmente a dados que lhes permitam obter as informações necessárias para criarem potenciais resultados e garantirem que os níveis de agilidade se mantêm. Os CFOs estão numa posição privilegiada para desempenhar esta missão, já que possuem conhecimentos rigorosos sobre os custos e o valor de cada departamento. Por esta razão, não devem temer o seu papel de catalisadores de mudanças reais, que tanto podem passar por alterações imediatas na base de custos e consequentes mudanças operacionais daí resultantes, como, e em especial, pela transformação da forma como os negócios serão geridos e estruturados no futuro.

 

Reduzir custos poderá ser inevitável para conseguir reforçar a sustentabilidade das empresas no imediato. Serão os CFOs quem irá tomar estas decisões. Ao fazerem-no, deverão, contudo, ter também em atenção o futuro, garantindo que a rentabilidade é salvaguardada e que são criados os níveis de resiliência necessários ao presente e ao futuro das suas empresas.


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