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Luís Mira Amaral 10 de Janeiro de 2005 às 13:59

China – a potência económica do século XXI (IV)

Linha de montagem do modelo «Jie Fang» na fábrica da China First Auto Works em Changchun. O China FAW Group Corp. fabrica automóveis naquele que é já considerado o mercado mundial com maior e mais rápido índice de crescimento.

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18. O Sector Automóvel

Trata-se de um mercado em franca expansão. Houve em 2004 uma procura de 4,5 milhões de veículos e estima-se que essa procura atingirá os 10 milhões de veículos em 2010.

Se o nível de vida chinês fosse equivalente ao dos EUA, a China teria mais carros do que os existentes no planeta!

Em cada três meses há 100 mil novos carros em Pequim. Em 2007 a China será o 3º mercado automóvel mundial a seguir aos EUA e ao Japão. Actualmente é o 5º à escala mundial.

Até ao momento, o Investimento Directo Estrangeiro (IDE) devia investir em Joint Ventures (JV’s) e estava limitado nessas JV’s a 50% do capital. A entrada no mercado estava sujeita a licença e a política industrial chinesa tinha o objectivo de fornecer tecnologia estrangeira às empresas estatais chinesas tornando-as campeões locais. As empresas tinham que se aprovisionar na indústria local de componentes. Esta obrigação vai acabar em 2006 com as regras da OMC.

Por tudo isto, a produtividade destas JV’s é menor na China do que no Brasil, Índia ou México. É o exemplo típico de como uma política industrial destinada a favorecer campeões locais dificulta a obtenção de níveis de produtividade internacionais.

O sector automóvel desenvolveu-se pois na China através das OEM’s ocidentais e, como não se criou um ambiente competitivo, é fácil também de compreender porque é que ainda não há marcas chinesas no mercado mundial.

19. A Indústria dos Componentes para Automóveis

As OEM’s ocidentais começaram por desconfiar da qualidade dos fornecedores chineses e consideravam-nos menos fiáveis do que os seus fornecedores tradicionais, como Portugal, República Checa ou México.

Para a produção automóvel nos EUA, o México continua a ser o local mais barato, enquanto para a industria alemã o leste europeu continuará ainda a ser o fornecedor ideal de blocos de motores.

Mas no longo prazo, tal poderá mudar, na medida em que as OEM’s poderão optimizar o fornecimento à escala mundial, ajustando os seus próprios processos e exigências de produtos às capacidades e características dos fabricantes de baixos custos salariais em países como a China e a Índia. No longo prazo, como se aprende aliás na microeconomia, tudo é variável, nada fica fixo! Em todo o caso, a mudança para fornecedores dos países de baixos salários acontecerá gradualmente à medida que os modelos antigos forem substituídos pelos novos e será atrasada pelas restrições ao encerramento das fábricas e despedimentos de trabalhadores no Japão e na Europa. Nos EUA, essa evolução poderá ser mais rápida por não haver essas restrições e pela natureza da relação entre os produtores americanos e os seus fornecedores.

20. A China e o Automóvel Eléctrico

Um caso muito curioso é o da empresa WANXIANG grande produtor de componentes para automóveis, que considera não ter vantagens competitivas em relação aos «players» ocidentais para produzir automóveis com motor de explosão ou mesmo veículos híbridos, mas que vê nos automóveis eléctricos um grande futuro face aos problemas ambientais e de consumo de combustíveis fósseis.

Como ainda ninguém domina tecnologicamente este tipo de veículos, nomeadamente no que toca à vida da bateria, à aceleração e velocidade do carro ou mesmo no que toca ao seu custo relativamente aos carros clássicos, a WANXIANG pensa que através de um planeamento e de esforços intensos de I&DT, a partir das tecnologias que já domina, poderá ser a primeira a chegar ao mercado.

21. O Sector Electrónico

Não houve discriminação para o IDE e não houve barreiras administrativas à entrada no mercado de novos «players», quer nacionais quer estrangeiros. Isso levou ao encorajamento da concorrência e ao surgimento de «players» locais competitivos que se estão a tornar «players globais» no mercado internacional.

O IDE foi instrumental no desenvolvimento de cadeias de fornecimento locais. A China desenvolve cadeias de fornecimento que se estendem até aos semicondutores, e que fornecem as companhias chinesas e estrangeiras.

Tudo isto provocou um círculo virtuoso, atraindo mais IDE! Neste caso, e ao contrário do sector automóvel, a política industrial não foi proteccionista nem discriminatória, tendo estimulado um forte e saudável ambiente competitivo e por isso começam a emergir «players» chineses competitivos à escala global.

22. A Indústria Química e Petroquímica

É um caso evidente de como a China alterou a dinâmica da indústria mundial.

Muitas empresas químicas no mundo ocidental serão forçadas a fechar as suas fábricas nos EUA, Europa e Japão por via do efeito China.

A China é o mercado mais atractivo para «commodities» e produtos químicos especiais. Por outro lado, a China começa a competir globalmente em alguns nichos de mercado onde os mercados mundiais são mais pequenos e mais fáceis de sofrerem impacto.

Nas «commodities» essa ameaça é menos evidente dado que se trata de mercados de grande dimensão à escala mundial, onde a entrada de «players» chineses ainda não terá um impacto sensível.

Empresas dos sectores têxtil, electrónico e automóvel que incorporam produtos químicos no seu processo industrial estão crescentemente a deslocalizarem-se para a China.

Dois gigantes petroquímicos - PetroChina e Sinopec - apareceram e começaram a consolidar-se no mercado doméstico.

23. O Turismo

Em 2010 a China será o 1º receptor de visitantes e em 2014 será um dos principais emissores de turistas no mundo: 100 milhões.

24. A Publicidade

Em 2 anos a China passa o Japão e será o 2º no mercado mundial de publicidade.

25. Os Mercados de Capitais

As empresas chinesas emitirão nos próximos meses entre 15 e 20 mil milhões de euros de acções nas bolsas estrangeiras.

Em 2003 afluíram investimentos ao mercado mobiliário de cerca de 1.6 mil milhões de euros.

26. O Meio Ambiente

Nove das dez cidades mais poluídas do mundo são chinesas. Segundo o Banco Mundial, a poluição atmosférica custa ao país 25 mil milhões de euros em gastos com a saúde e perda de produtividade.

Em 2040, a manter-se o ritmo de crescimento actual, a China ultrapassará os EUA como maior emissor de gases com efeito de estufa (CO2).

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