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Duarte Líbano Monteiro 14 de Abril de 2020 às 18:33

Como a pandemia do COVID-19 está a afetar o mercado de câmbios?

No mercado de câmbio, a estratégia de negociação mais popular nas últimas semanas tem sido a compra de dólar americano, particularmente às custas de moedas de mercados emergentes.

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A reação nos mercados financeiros a esta pandemia foi agressiva e violenta e assemelha-se aos movimentos testemunhados durante a crise financeira global em 2008/09, se não mais acentuada. Os mercados de ações sofreram o peso do "sell off", pois os investidores fogem de ativos de maior risco em favor dos portos-seguros ou, em muitos casos, saem do mercado completamente.

 

No mercado de câmbio, a estratégia de negociação mais popular nas últimas semanas tem sido a compra de dólar americano, particularmente às custas de moedas de mercados emergentes. O dólar atuou como a moeda de refúgio de escolha entre os comerciantes durante esta crise, como costumava fazer em tempos de grande stress do mercado no passado.

 

Porque é que isto aconteceu? Para já porque é a moeda mais líquida do mundo. Aliando a isso, a economia dos EUA é menos dependente da procura externa do que grande parte do mundo desenvolvido, principalmente da Europa. E por fim, a propagação do vírus tem sido relativamente menos agressiva nos EUA do que na Europa e na Ásia durante grande parte do surto, particularmente como percentagem do total da população.

 

O yuan chinês manteve-se relativamente bem durante o recente e amplo "sell off", superando quase todas as outras moedas da Ásia desde o início de março. Atribuímos esse bom desempenho às notícias amplamente encorajadoras que começando a ver fora da China, que atualmente parecem ter controlado o número de novos casos diários do vírus COVID-19.

 

No universo do mercado emergente, várias moedas caíram para mínimos de vários anos. Entre os mais afetados estão as moedas de países que são fortemente dependentes da produção de commodities, principalmente devido à acentuada quebra na venda do petróleo (70% em cerca de um mês). O rublo russo está entre os mais afetados, perdendo cerca de 16% do seu valor em relação ao dólar, apenas em março.

 

Apesar da pandemia de coronavírus até agora ter resultado em apenas 4.400 casos confirmados na Polónia, que em parte podem estar relacionados com a imposição antecipada de restrições no país, o zloty esteve sujeito a um grande "sell off" nas últimas semanas. O pânico do coronavírus resultou na perda do zloty em cerca de 5% em relação ao euro desde o início de março. Acreditamos, no entanto, que o zloty foi prejudicado em parte devido à sua liquidez relativamente alta (o que facilita a venda da moeda).

 

Sem precedentes históricos, é incrivelmente difícil fazer qualquer tipo de previsão precisa, principalmente a médio e longo prazo. O que sabemos é que é quase certo que a volatilidade do mercado permanecerá alta por enquanto, particularmente enquanto o vírus ainda está no auge nas principais áreas económicas do mundo, como Europa e EUA. No curto prazo, podemos continuar a verificar o dólar como a moeda de refúgio de escolha, embora o aumento acentuado no número de casos que estamos vendo nos EUA provavelmente limite a atração da moeda.

 

No que diz respeito às moedas de mercados emergentes, acreditamos que a direção e o tamanho dos movimentos serão amplamente idiossincráticos e, em grande parte, dependem dos fundamentos macroeconómicos de cada país, além de outros fatores (como posicionamento de mercado e liquidez). 

 

Country Manager Ebury Portugal

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