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Como lidar com "O" problema Espanha

À medida que um resgate a Espanha vai ficando mais provável, Portugal passa a ter dois novos problemas: como evitar ser arrastado pela escalada do risco e dos juros espanhóis que deitaria a perder o nosso regresso aos mercados (que em condições normais já era difícil).

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A primeira coisa a fazer é não perder a cabeça, evitando os erros dos nossos vizinhos: as declarações desencontradas do ministro das Finanças e o da Economia, um primeiro-ministro que se dá ares de importante e pressiona publicamente Comissão e BCE, o tabu sobre a situação financeira das autonomias (fora o da banca)...

É verdade que ajudava não estarmos tão dependentes de um vizinho tão inconveniente (a Espanha vale 24% das nossas vendas ao exterior...) como estamos. Mas como não adianta chorar sobre leite derramado, a única coisa que podemos fazer é actuar sobre o problema. Como? Mantendo o cumprimento rigoroso do programa da Troika. E comunicar com os mercados pelos canais certos, outro problema espanhol (como bem realçou a Reuters na semana passada).

Isto garante que não iremos na enxurrada? Não. Mas os investidores não são estúpidos. E, embora de forma ténue (a credibilidade é o resultado de um trabalho paciente e meticuloso), já nos vão dando mais "crédito" do que a Espanha. Moral da história: é quando tudo parece que vai correr mal que é importante não desatar aos ziguezagues. V.g., não "chumbar" o orçamento para 2013 sem conhecer o conteúdo, encontrar rapidamente uma solução (consensual) para o chumbo do Tribunal Constitucional... E usar a cabeça: lembrar aos investidores que Portugal está menos dependente de Espanha do que a Irlanda estava de Inglaterra...


camilolourenco@gmail.com

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