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Aníbal de Freitas Lopes 25 de Julho de 2007 às 13:59

Construção sustentável ao serviço da Humanidade

Os diplomatas da ONU sabem criar conceitos flexíveis visando consensos a nível planetário, não obstante a diversidade de culturas e línguas. Um exemplo é o de desenvolvimento sustentável que mudou a visão do mundo.

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O conceito de cidade sustentável e o de construção sustentável são cada vez mais usados. Mas o conteúdo desses conceitos é muito variável. E muda no tempo.

A sustentabilidade transcende o carácter ambiental estrito. Assenta no mínimo em três pilares: ambiental, económico, social. Quanto a cidades e construção, nós preferimos a visão multipilar da sustentabilidade. É mais realista. E mais adequada a Portugal.  

O conceito de cidade sustentável implica coexistência de “ambientes” vários. Criatividade, com rapidez de mudança, abertura de mentalidades, empreendorismo. Contactos fáceis, para maior comunidade, mobilidade e informação directa ou por meios digitais. Convívio, resultante de concepção urbana policêntrica, mas razoavelmente compacta, valorizando a vizinhança e a convivência, sem as impor. Justiça, na equilibrada usufruição da própria justiça e no ordenamento do território, participação na governação, emprego para ambos os géneros, educação, combate à pobreza e à doença. Beleza, mobilizadora dos espíritos e sentimentos, harmonia na arquitectura, na arte e na paisagem. Ecologia, com pequenos impactos ecológicos negativos, com infra-estruturas e edifícios eficientes e recursos para as gerações actuais e vindouras. Diferença, na concepção e desenvolvimento estratégico capaz de garantir originalidade, identidade própria e animação ao conjunto de actividades sobrepostas. Esta visão de cidade sustentável não é única. Muitas outras são possíveis e desejáveis.

A sustentabilidade duma cidade impõe a aplicação do conceito de construção sustentável a um número crescente de edifícios existentes ou novos. E a outras construções.

A construção sustentável procura equilibrar o desempenho ambiental com outros desempenhos. Economicamente, não pode atingir custos que ponham em risco a viabilidade. Socialmente, não pode aumentar o risco quanto à segurança, higiene e saúde dos trabalhadores que a constroem. Ou dos utentes a que se destina. Nem implicar custos que agravem insuportavelmente o fardo habitacional das famílias. Esteticamente, não pode ser um mamarracho. Estruturalmente, não pode ser objecto de danos inaceitáveis por solicitações sísmicas, ventos ou inundações e incêndios. No fim da vida do edifício, os detritos e resíduos não podem ser sobrecarga excessiva para as gerações coevas da demolição.

Mesmo com estas limitações, o conceito de construção sustentável abre um mundo imenso de novas possibilidades. Para quem projecta. Para quem fabrica materiais e equipamentos para a Construção. Para o promotor. Para quem utiliza ou compra. Para quem legisla, aplica impostos e atribui benefícios fiscais. Para os habitantes locais e para todo o Planeta.
  
A avaliação da sustentabilidade de cada edifício, para ser credível, tem de ser feita por especialistas credenciados, responsabilizáveis pelos seus relatórios. O rótulo de sustentável é ainda invocado às vezes de forma abusiva ou pouco transparente.

A sustentabilidade deve ser avaliada ao longo da vida do edifício, desde a concepção e projecto inicial, à construção e utilização, passando pela manutenção, até à desconstrução/reciclagem dos produtos de demolição. E tanto deve ser verificada quanto aos materiais e equipamentos incorporados (incluindo a sua fase de aprovisionamento de matérias primas, fabrico, transporte para a obra e colocação em obra, até à demolição do edifício) como ao edifício global.

A fase de utilização dos edifícios deve também merecer clara análise dos impactos ambientais, em particular quanto à emissão de gases de efeitos de estufa, de partículas e de ruído, consumo e desperdício de energia não renovável e de água no edifício e nos transportes, emissão de esgotos, criação de resíduos sólidos e poluição química e libertação de outras substâncias perigosas.

A construção sustentável é um universo vasto e aliciante de direitos, deveres e oportunidades, para a sociedade civil e o Estado. No qual a formação e a educação têm lugar essencial.

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