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Consumo ao nível de 2003? Sim, no mínimo

Como é que se reduz o desequilíbrio da balança corrente de um país que há dez anos tem um défice à roda dos 10% do PIB?

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Como é que se reduz o desequilíbrio da balança corrente de um país que há dez anos tem um défice à roda dos 10% do PIB? Não é preciso ser economista para saber: aumenta-se as exportações ou reduz-se as importações. Ou as duas coisas.

Mas há dois problemas: 1 - ninguém consegue aumentar as exportações de modo a resolver o problema em dois anos (o financiamento da Troika - 78 mil milhões - só dá até 2013); 2 - resta baixar drasticamente as importações, porque ninguém nos vai emprestar dinheiro para vivermos acima das posses (isto é, com défice). Como? Reduzindo o consumo. Via aumento do IVA e da quebra do rendimento disponível (aumento do IRS).

É isso que está a ser feito. Só que como temos apenas dois anos, a queda do consumo tem de ser rápida… e drástica. Ora isso implica reduzir, em tempo recorde, a oferta de bens e serviços (restaurantes, indústria, etc.), ajustando-a à procura. No fundo, é preciso que a oferta se ajuste ao nível de consumo de há oito anos. E mesmo assim teremos de contar com a ajuda das exportações...

É por isso que quando o sector da restauração diz que um aumento do IVA vai obrigar ao despedimento de mais de 120 mil pessoas e ao fecho de 50% das empresas (há exagero nos números…), está a perder tempo. Porque isso é inevitável: não se equilibra a conta corrente sem redução do consumo e, por consequência, das importações.

É duro dizer isto com esta frieza? É. Mas não se pode esconder a realidade: a economia portuguesa não gera riqueza que justifique a actual oferta de bens e serviços. É claro que tudo isto podia ser menos dramático… se tivéssemos começado o ajustamento há três anos. Mas havia eleições…


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