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Deixem o BCE em paz

O euro não pára de bater recordes (ontem atingiu 1,55 dólares), criando um problema extra a empresas e governos, já preocupados com o abrandamento económico.

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É indiscutível que a apreciação do euro vai afectar a economia dos 15, particularmente a dos países com mais vocação exportadora, como a Alemanha (que representa 1/3 da economia europeia). Não tanto pela dimensão da subida, mas pela sua rapidez. Porque não dá tempo às empresas para se ajustarem às alterações do preço da moeda: ninguém consegue reduzir custos, redireccionar as exportações ou acrescentar (mais) valor aos bens/serviços que produz (uma das formas de convencer os consumidores a pagarem mais) no espaço de dois meses?

No BCE, a apreciação do euro é bem recebida: baixa a inflação importada e, por essa via, a inflação interna (que está acima do limite superior tolerado pelo banco central). Mas é provável que a rapidez da subida também esteja a preocupar o BCE. Não apenas pelo efeito nas exportações, mas porque acentua o coro dos políticos que pedem a alteração dos seus estatutos. O problema é que o BCE pouco pode fazer para mudar este estado de coisas (baixar juros pode por em causa o controlo da inflação, o maior inimigo do crescimento). Mas a classe política pode: quanto menos atacar o BCE, menos este sentirá necessidade de afirmar a sua independência. A estabilidade cambial é avessa à peixeirada política.

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