Nelson Silva
Nelson Silva 07 de março de 2018 às 20:00

Desafios numa economia social em progresso 

Face ao peso que a economia social assume na economia nacional e às responsabilidades crescentes no campo social, cumpre encarar o futuro à luz de novos desafios.

Nos últimos 20 anos, tem-se assistido a um importante crescimento da economia social, à qual pertencem as associações mutualistas e que junta e transporta em si princípios e valores, como a reciprocidade, a solidariedade ou a equidade, numa articulação do económico com o social.

 

Os dados da Conta Satélite da Economia Social (2013) são elucidativos sobre a relevância da economia social no emprego e na produção de riqueza em Portugal: 2,8% do valor acrescentado bruto (VAB), 6% do emprego remunerado e 5,2% das remunerações.

 

Face ao peso que a economia social assume na economia nacional e às responsabilidades crescentes no campo social, cumpre encarar o futuro à luz de novos desafios.

 

Assim, a par de um aprofundamento das parcerias público-sociais, cuja cooperação importa alicerçar num modelo de governação partilhada, é fundamental que as entidades da economia social continuem a apostar na introdução de mecanismos e medidas que lhes permitam chegar a mais pessoas e ser ainda mais eficientes e eficazes na sua atuação.

 

No caso das mutualidades, a sua ação alargou-se muito além da assistência médica e medicamentosa e da criação de valências de apoio à 3.ª idade. Muitas delas gerem fundos relacionados com capitais pagáveis por morte, prestações de invalidez, velhice e sobrevivência e prestações pecuniárias por doença, maternidade, desemprego, acidentes de trabalho ou doenças profissionais. Em resultado do alargamento do seu campo de atuação e complexidade, a gestão das mutualidades, assim como das restantes entidades da economia social é cada vez mais exigente. Daí a relevância de garantir que os cargos dirigentes sejam desempenhados por pessoas idóneas e com competências reconhecidas para o efeito. A dedicação apaixonada e altruísta já não é suficiente, em grande parte das entidades, para assegurar uma administração competente, responsável e sustentável.

 

Por outro lado, é preponderante dotar as entidades de quadros profissionais qualificados para o desempenho de funções em áreas estratégicas como a gestão financeira, recursos humanos e direito, sem descurar a formação contínua de todos os colaboradores. Apostar em recursos humanos capacitados significa torná-los capazes de captar recursos, elaborar e gerir projetos, executar processos de planeamento estratégico, entre outros, sempre em busca da eficiência, transparência e qualidade dos resultados.

 

É na exata medida da qualidade dos seus recursos humanos que as entidades da economia social estarão mais ou menos aptas ao aprofundamento da cooperação entre elas, através de medidas como a gestão integrada/partilhada de recursos e equipamentos e centrais de compras comuns. Desta forma, ganha-se escala com impacto na redução de custos e otimização dos recursos.

 

Paralelamente, há que dar passos na implementação da avaliação de desempenho, desenvolvendo e aperfeiçoando metodologias de avaliação de resultados qualitativos e financeiros. Para isso, é necessário criar no seio das entidades uma cultura organizacional de avaliação e melhoria contínua, orientada para os resultados económicos e sociais.

 

Acostumadas ao longo dos séculos a reinventar-se e a adaptar-se aos novos tempos, as entidades da economia social estarão com certeza à altura de abraçar os desafios que se avizinham, gerando ainda mais riqueza e contribuindo para uma maior coesão social nacional.

 

 

"Ensaios sobre Economia Solidária", de Paul Singer

 

Tem lugar amanhã, 9 de março, na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, a apresentação do livro "Ensaios sobre Economia Solidária", de Paul Singer, economista e professor austríaco de cidadania brasileira e uma referência da economia social e solidária, a nível mundial.

 

A apresentação do livro realiza-se no contexto de uma conferência da pós-graduação em Economia Social e será feita por Rui Namorado, que prefacia o livro, contando ainda com a participação de representantes da Associação Mutualista Montepio, que apoia a edição do livro e da editora Almedina.

 

"Entre a Raiz e a Utopia", de Natália Correia

 

Realiza-se no próximo dia 19 de março, na Fnac Chiado, em Lisboa, a sessão de lançamento do livro "Entre a Raiz e a Utopia" - escritos sobre António Sérgio e o cooperativismo, de Natália Correia. Esta sessão é uma das iniciativas que integra o tributo a António Sérgio pelo cinquentenário da sua morte.

 

O livro reúne um conjunto de documentos, na sua maioria inéditos, correspondente ao período de 1946-1958, e que traduz a relação de cumplicidade e luta por ideias universais vivida entre a poeta Natália Correia e o pensador, pedagogo, ensaísta e cooperativista António Sérgio.

 

Presidente Direção da Associação de Socorros Mútuos - Mutualista Covilhanense

 

Artigo em conformidade como novo Acordo Ortográfico

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