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Descontinuar já!

Para Joe Berardo há uma solução bolchevique para a crise portuguesa: nacionaliza-se tudo e começa-se de novo. Não é uma ideia nova: Vasco Gonçalves tentou-a em 1975 e, antes dele, Lenine em 1917.

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Teixeira dos Santos tem uma ideia mais influenciada pelos mencheviques: a Vivo é um activo estratégico do Estado, mas a EDP e a Galp podem-se ir privatizando. Ernâni Lopes, pessoa por quem tenho estima, é menos radical: degolam-se culpados e inocentes, cortando, de um dia para o outro, 20% dos soldos dos funcionários públicos.

Há claramente uma tensão criativa em Portugal, mas não se sabe se a isto não deveremos chamar desorientação destrutiva. Entre a nacionalização total e a política da guilhotina da França revolucionária há um frenesim louco neste País.


É claro que, sensatamente, deveríamos recordar que os excessos da Comuna de Paris levaram a que os que cortaram cabeças acabassem com as mesmas cortadas. A classe política portuguesa comprou uma pistola para brincar à roleta russa. Não parece saber os resultados da brincadeira. A democracia de consumo em que vivemos sustenta--se de duas coisas: o crescimento económico e o dinheiro para consumir. Sem estes, a democracia política morre engasgada.

É por isso que o combate à crise requer da classe política o tom correcto. Uma coisa é dar más notícias. Outra é saber ter cuidado ao dá-las. A política é isso. Os discursos que estamos a ouvir são auto-fágicos. Parece que, para se combater a crise, se quer descontinuar o País. Custer, quando caminhou para o suicídio, não fez melhor.

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