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Desta vez não é tanga

Se a locomotiva da economia mundial continuar a avançar a esta velocidade, está na hora de anunciar a boa-nova aos portugueses: agora sim, o pior já passou e a economia vai recuperar dentro de momentos.

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A primeira de todas as preocupações quando este Governo tomou posse foi – como é que alguém poderia esquecer? – trazer os portugueses de volta à realidade.

Foi assim que apareceu a conversa da “tanga”. Depois os protestos de grupos instaladas, bem organizados e com acesso fácil à imprensa. Finalmente, a popularidade começa a cair e as “pessoas normais” dão sinais de não estar a entender as razões da crise. Daí, até responsabilizarem este Governo pelo aumento do desemprego e pelo aperto nos rendimentos, foi um passo. Como o insuspeito governador do Banco de Portugal não se cansa de repetir, o ajustamento das famílias e das empresas teria de acontecer, mesmo que o Governo, este, o anterior ou qualquer outro não o desejasse. Para piorar, a economia internacional também ficou mais torta do que se esperava. Sem perspectivas, o Governo iniciou uma ofensiva, mais rigorosamente uma propaganda, para explicar que a política económica adoptada até agora foi a mais adequada. E que os resultados estão a caminho.

Mas as pessoas deixaram de esperar pela retoma. Por duas ordens da razão. A primeira é a mais fácil de entender: é que ela pura e simplesmente não apareceu, não há quem a sinta. A segunda é que, entretanto, o pessoal vai-se entretendo com a “novela da vida real”, ou seja, o caso grave da pedofilia que começou com vítimas e agora só tem personagens, famosas e sinistras, a passar na televisão.

A senhora ministra das Finanças, como é séria e até está a cumprir a política de estabilidade que o seu partido prometeu, também não se deixou entusiasmar com estes presságios optimistas e construiu um cenário bastante prudente, dizendo que a economia vai atravessar 2004 com um crescimento modesto, em torno de 1%.

Pois há alguma esperança vai despontando no horizonte. Como Paulo Ferreira há três dias aqui anotava: as bolsas exibem uma recuperação, contida mas sustentável, logo saudável, desde Março; a confiança dos agentes económicos ainda é negativa, mas já não é depressiva; as empresas colhem os frutos das curas de emagrecimento e regressaram à fase de fusões e aquisições. As contas trimestrais, que há dois dias estão a sair em catadupa, confirmam que as nossas principais empresas resistiram à recessão. Com menos negócio, mas melhores resultados. E, agora, a grande notícia: o mais espectacular crescimento económico dos Estados Unidos em vinte anos! 7,2 por cento!

É formidável porque desde o início de 1984 que a economia americana não progredia a ritmo tão elevado. É melhor ainda, porque ninguém previa um resultado tão bom – os analistas esperavam uma taxa de 6%, na melhor das hipóteses. E é mais extraordinário ainda porque, de certa forma, desvanece as dúvidas que as estatísticas do 2º trimestre levantavam sobre a qualidade e a autêntica força da retoma americana.

Se a locomotiva da economia mundial continuar a avançar a esta velocidade, está na altura de Durão Barroso e Carlos Tavares anunciarem a boa-nova aos portugueses: agora sim, o pior já lá vai e a economia vai recuperar dentro de momentos...

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