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Jorge Rio Cardoso 28 de Março de 2011 às 11:56

Dia Mundial da Água: momento de reflexão

Celebrou-se na semana passada o Dia Mundial da Água. Nunca, como agora, as preocupações ambientais e, em particular, as relacionadas com os recursos hídricos, estiveram tanto na ordem do dia.

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De facto, a maioria dos meios (água, ar e solos) começam a manifestar uma pressão exagerada, sob a forma de poluição, com os consequentes problemas para a saúde pública e para os próprios ecossistemas.

Esta pressão, fruto inicialmente do processo de industrialização e do crescimento populacional, veio agudizar-se em face de factores diversos tais como as alterações climáticas, a desflorestação, a perda de biodiversidade, a redução de recursos piscícolas e o aumento da concentração de substâncias perigosas no ambiente.

As previsões feitas pelos principais organismos internacionais não são animadoras. A OCDE, por exemplo, prevê, um aumento da probabilidade de ocorrência de cheias, a nível mundial, com o consequente arrastamento de poluentes e maiores taxas de erosão dos solos. Ainda segundo este Organismo haverá um aumento do nível médio da água do mar (e logo maior intrusão salina) e das temperaturas da água (provocando maior eutrofização).

A UNESCO já antes tinha constatado vários outros fenómenos: muitos rios deixaram de chegar ao mar, mais de metade das zonas húmidas desapareceram e muitos aquíferos estão esgotados ou contaminados.

O Organismo das Nações Unidas para a água estabeleceu, para este ano, como tema central: "Água para as cidades: respondendo ao desafio urbano". A principal explicação, prende-se com o facto de, pela primeira vez na história da Humanidade, a maioria da população mundial viver em cidades. Esta concentração de populações implica, necessariamente, que as técnicas de abastecimento e tratamento de água, e posterior tratamento, sejam cada vez mais apuradas e sofisticadas.

Todas estas previsões, e dados estatísticos, deixam antever que os desafios no sector da água em Portugal passarão pela necessidade de fortes meios financeiros e técnicos. Assim, será imperioso que, nas várias áreas do sector da água, exista uma gestão mais eficiente, um melhor controlo de poluentes, sobretudo daqueles com incidência directa na saúde pública, e a reutilização de águas residuais.

Estas carências tornam necessário a criação de um quadro legal em que o capital privado tenha incentivos ao investimento no sector. Naturalmente que o preço da água, de forma diferenciada e consoante os municípios e sectores de actividade, poderá, ainda que marginalmente e de forma gradual, subir, mas estes aumentos serão acompanhados de melhorias de qualidade e de uma protecção alargada dos direitos do consumidor.

Assim, nesta comemoração do Dia Mundial da Água é preciso ter presente que a água é um elemento que, para além de ser essencial à vida humana, a vários níveis, dita de forma clara a melhor ou pior qualidade de vida de uma população. Por isso, valorizá-la e preservá-la são imperativos nacionais e urgentes que passam pela participação e empenhamento de todos.


Professor Universitário do ISCSP da UTL
jcardoso@iscsp.utl.pt
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