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Ricardo Domingos rdomingos1@gmail.com 09 de Dezembro de 2003 às 11:51

Dinheiro e Vida

Tanto o dinheiro como nós – pessoas de carne e osso – gostamos de ser confortados por algo que minimize a incerteza do nosso percurso. Mas nem a gestão ou planeamento conseguem evitar imponderáveis.

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O dinheiro, às vezes, é parecido com a vida do comum dos mortais. Desde que nasce até que morre, segue um rumo, rotina ou acaso que lhe é ditado pelas circunstâncias que condicionam a sua existência. A estas incongruências, os banqueiros apelidam-nas de risco e nós, pessoas que vivem a sua vida, chamamos-lhes pequenas sortes ou azares.

Mas tanto o dinheiro como nós – pessoas de carne e osso – gostamos de ser confortados por algo que minimize a incerteza do nosso percurso e nos faça sentir seguros. Por isso nos organizámos em sociedade – a nossa moldura – e por isso o dinheiro também se encontra emoldurado pela sociedade que foi para si criada.

E que é a soma das reservas dos bancos centrais, dos mercados de mercadorias, dos accionistas, dos obrigacionistas, dos monetários, dos cambiais, dos depósitos nos bancos, dos fluxos de caixa das empresas e do que conseguimos encontrar nos nossos bolsos.

Porque só com essa organização sistémica é que nos sentimos seguros ao ponto de pensar que podemos antecipar as adversidades. E, num cenário perfeito, evitar o que nos desagrada e escolher o que nos mais apraz. Os entendidos do dinheiro chamam-lhe condições de mercado e livre circulação de capitais. As pessoas chamam-lhe de liberdade de escolha.

Mas nem mesmo a gestão, o planeamento, a pesquisa e observação contínuas do que nos envolve conseguem evitar imponderáveis. Com o dinheiro é a mesma coisa.

Quem diria, há um ano, que o euro negociaria acima dos 1,20 dólares, ou que o ouro estivesse acima dos 400? Quem se atreveria a dizer que o implacável Pacto de Estabilidade e Crescimento, cujos critérios obrigaram Portugal a grandes sacrifícios, se encontrasse em estado comatoso?

Nesta altura do ano, pessoas e dinheiro entram em período de reflexão. As pessoas, mesmo que pouco, aproximam-se mais umas das outras. E fazem promessas de Ano Novo. Porque acreditam que podem voltar a atingir novos momentos de felicidade.

O dinheiro faz o balanço do ano e traça objectivos para o próximo. Porque quem com ele lida acredita que pode atingir novos níveis de rentabilidade nas variadas formas em que é aplicado.

É o momento de colocarmos o contador a zero. De fazer “reset” e esperar que o próximo ano seja mais feliz para os mortais e mais rentável para o dinheiro. Pelo menos gostamos de acreditar que assim é.

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