João Quadros
João Quadros 23 de janeiro de 2015 às 09:38

Domingo de Kátharsis

Domingo há eleições no berço da democracia. A maioria das sondagens dá como provável a vitória da coligação Syriza.

Domingo há eleições no berço da democracia. A maioria das sondagens dá como provável a vitória da coligação Syriza.


Muitos políticos e jornalistas gostam de chamar ao Syriza a esquerda radical, apesar de o líder não usar rabo-de-cavalo, não querer sair do Euro e ter um programa, em parte, social-democrata. São radicais porque querem mudanças, o que, nos nossos dias, é considerado muito radical. Chamar esquerda radical ao Syriza é um exagero, é o mesmo que chamar socialista ao Assis ou muito, muito fascista a Cavaco. Bem sei que o nome da coligação é Coligação da Esquerda Radical, mas radical em grego não significa exactamente o mesmo que para nós. É diferente, é como os iogurtes.


O verdadeiro nome do Syriza é Óõíáóðéóìüò ÑéæïóðáóôéêÞò ÁñéóôåñÜò Synaspismos Rizospastikis Aristerás. Parece que tive um vírus no computador. Impressionante, não é? Nem um partido monárquico se lembrava de ter tantos nomes. Tenho a teoria de que parte da dívida da Grécia tem a ver com o que eles gastam em tinta para impressoras.


O líder do Syriza, Alexis Tsipras (muito melhor nome para craque de bola do que Bernardo Silva), começou por ser visto como um maluco de esquerda radical e agora já há quem tema que venha lá um novo Hollande. Vamos com calma. Obviamente dizer que Alexis Tsipras tem um diploma de Engenheira Civil não nos deixa sossegados, mas para os que querem assustar os eleitores gregos com o fantasma do radicalismo e da saída do Euro o nome a reter não é Alexis Tsipras, é Angela Merkel. Foi a teimosa alemã quem primeiro falou na possibilidade de a Grécia sair do Euro sem grande incómodo. Neste momento, o maior perigo para o Euro não é o Syriza, é a política da senhora dos dois mil conjuntos de saia-casaco. Ela não altera uma linha no que veste, não vai querer alterar um ponto no que quer que os outros vistam.


A vitória do Syriza nas eleições de domingo pode significar um momento de catarse, do grego "kátharsis, purificação", derivado de "êá?áßñù purificar". Significa purificação, evacuação ou purgação. Não encontro melhores imagens. É disto tudo que precisamos. Alexis Tsipras pode ser aquele amigo com pior feitio que, de repente, diz o que todos pensam sobre o comportamento execrável da mulher/marido de um amigo, que na realidade já ninguém suporta e que todos sabiam que estava a dar cabo do fim-de-semana. Bem sei que ela é a dona da casa, mas a paciência tem limites. Especialmente quando estamos certos. Chega do "vão lá buscar a bola de espelho e as luzes" que ela agora não está ver. 

 

 

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Top 5


Somos todos Gregos


1 Mário Soares - "A TAP é um símbolo nacional" - É? No meu tempo, a selecção portuguesa de futebol voava para o Mundial na TAP.


2 "Acções da PT e da Oi batem em novos mínimos" - O Carlos Cruz já teve que devolver a medalha. E o Zeinal e o Grana?


3 "Iranianos queimam a bandeira francesa em protesto contra cartoons" - Que ofendem os símbolos dos outros. Dá para fazer um cartoon destas 800 mil pessoas nestas manifestações anti-cartoon?


4 Papa Francisco avisa que católicos não devem procriar como coelhos - Até porque faz mal ao coração. Então e o crescei e multiplicai-vos, alguém tem de compensar a população do Vaticano! Mas, espera lá, os coelhos não iam para o céu na mesma...?


5 Cineasta António-Pedro Vasconcelos é mentor do manifesto contra a privatização da TAP. "Não TAP os olhos" - É importante que a TAP continue a voar para Cannes e Berlim.

 

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