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Durão, Baía, os espanhóis e nós por cá

Temos em Portugal o hábito de nos compararmos com os espanhóis, o que não sendo excepcional nem mesmo desaconselhável (os belgas fazem o mesmo com os franceses e ninguém parece levar-lhes a mal), não é de todo saudável quando levado ao extremo, como frequ

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Temos em Portugal o hábito de nos compararmos com os espanhóis, o que não sendo excepcional nem mesmo desaconselhável (os belgas fazem o mesmo com os franceses e ninguém parece levar-lhes a mal), não é de todo saudável quando levado ao extremo, como frequentemente tem acontecido por cá.

Contudo, os políticos portugueses estão hoje diante de uma situação em que seria altamente recomendável que, antes de darem um qualquer passo em falso, olhassem para o que têm feito (e fazem) os nossos vizinhos.

Dentro das suas próprias fronteiras, a Espanha é muitas vezes uma ficção como país - pode não ser a regra, mas garanto-vos que muitos catalães preferiram ver a selecção portuguesa de futebol a ganhar à espanhola, que vêem como um dos símbolos de uma união forçada. Mas quando são os interesses colectivos de Espanha que estão em jogo, aí não há catalães, nem galegos, nem mesmo bascos. São todos espanhóis. Indo directo ao assunto: não é verosímil que, se um espanhol fosse indigitado para presidente da Comissão Europeia, algum eurodeputado espanhol se mostrasse na disposição de votar contra a sua ascensão ao mais alto cargo permanente da hierarquia da União Europeia.

Enquanto isso, em Portugal, a não ser naturalmente os 9 eurodeputados eleitos pela coligação PSD - CDS / PP, os demais parecem hesitar entre a abstenção (caso provável dos 12 do PS, que tiveram o desgosto acrescido de não verem a candidatura de António Vitorino vingar) e o voto contra (já abertamente assumido como opção pelo Bloco de Esquerda).

Pondo de parte a oportunidade da aceitação do cargo por Durão Barroso - que é uma questão que tem de ser resolvida internamente nas instâncias próprias - no plano europeu não há neste momento rigorosamente nenhum motivo para tentar por paus nas rodas à subida inédita (e seguramente não repetível nas próximas décadas) de um português à chefia do Executivo comunitário.

Votar em Estrasburgo no dia 22 contra Durão Barroso é assumir uma atitude semelhante à de um portista que torce pela selecção alheia porque Scolari não quis Vítor Baía. Se no futebol as consequências podem simplesmente não existir, já no seio de um Parlamento Europeu onde a matemática promete ser particularmente apertada para Durão o caso é bem mais grave. Deveria exigir, no mínimo, uma reflexão menos míope e mesquinha dos «nossos» eurodeputados sobre como devem agir para defender o interesse colectivo dos portugueses.

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