Fernando  Sobral
Fernando Sobral 25 de agosto de 2016 às 09:46

É Nicolas Trump? É Sílvio Sarkozy? Não. São as eleições

Não é um tema menor. A França é um dos pólos da União Europeia. E, num regime presidencialista, saber que ocupará o Eliseu em Maio de 2017 será um sinal para se saber para onde irá a Europa.

No meio das primárias de ecologistas, da direita, dos socialistas, também se pensa nas legislativas de Junho de 2017. Não foi por acaso que Nicolas Sarkozy passou ao ataque. Porque Alain Juppé é muito querido na sua área política. Alguns falam de que com o seu programa de ruptura radical, Sarkozy parece um "Nicolas Trump" ou um "Sílvio Sarkozy".

No Libération, Alain Auffray escreve que "Em 'Tout Pour La France", o seu livro agora editado, Nicolas Sarkozy descreve-se como um chefe de guerra: sente-se 'a força' para travar o combate contra 'um inimigo que não tem limites'. Para dar uma ideia do que se joga, ele precisa, sem falsa modéstia, que o que deseja só se pode comparar ao que fez De Gaulle em 1958". Ou seja, Sarkozy faz da "identidade nacional" uma bandeira, até para ganhar espaço no universo de Marine La Pen. No suíço Le Temps, Richard Werly explica: "O antigo chefe de Estado francês lançou-se na corrida presidencial. A sua estratégia, desvendada num livro-choque, é impor-se como o homem providencial capaz de responder à cólera popular".

No económico Les Echos, Jean-Marc Vittori vira-se para outro lado: para o socialista Arnaud Monteboug. E não é meigo: "Abstraindo-se de todo o mundo que muda, como o digital ou as novas aspirações dos eleitores e consumidores, Arnaud Montebourg continua imerso nos mitos da sua juventude, incluindo a nacionalização bancária que era um dos pilares do Programa Comum de 1972. Esperemos que outros aspirantes ao poder, na esquerda como na direita, façam ao menos o esforço de abrir o seu programa ao mundo do futuro". Na esquerda também há muitos candidatos: Hollande, Valls, Monteboug, Mélenchon. A confusão é grande.


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