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Jorge Libano Monteiro 08 de Setembro de 2005 às 13:59

...E a economia, Dr. Soares?

Mário Soares, na sua declaração de candidatura à Presidência da República, assumiu um tom despreocupado, quase irónico, sempre que aflorou questões de índole económica e empresarial. Um conjunto de referências que me deixaram perplexo, pois perante a actu

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Um conjunto de referências que me deixaram perplexo, pois perante a actual situação de grave crise sócio-económica vivida em Portugal, com as empresas e o Estado incapazes de encontrarem o rumo da recuperação, não seria de esperar que Soares se limitasse a fazer um apelo ao nosso optimismo, assente na capacidade que o candidato se reclama de congregar e unir os portugueses nas horas difíceis.

Parece-me pouco para alguém tão brilhante como é Mário Soares, com tantas responsabilidades e com um profundo conhecimento, como poucos têm da dramática realidade portuguesa.

Desdramatizar a questão do déficit público e ignorar outros dados económicos alarmantes parece-me, claramente, um caminho perigoso e eticamente desajustado. E foram várias as passagens em que desvalorizou a tragédia das finanças públicas, atribuindo-a a uma conjuntura económica internacional adversa, e cuja resolução se deveria obviamente fazer, mas a prazo.

Este tipo de sinais de despreocupação e optimismo, capazes de iludir aqueles que ainda não estão conscientes das dificuldades que Portugal vai ter de continuar a enfrentar por muito tempo, correm o sério risco de facilitar a sobrevivência e até encorajar a acção de todos aqueles que apenas procuram defender ao transe os seus interesses instalados, sem perceberem que, a prazo, estão a abrir caminho ao suicídio colectivo.

Portugal precisa urgentemente de fazer rupturas, de pessoas que percebam que a economia tem de funcionar bem para poder estar ao serviço do homem. Afinal, Portugal necessita de pessoas competentes, daquelas que revelem capacidade técnica e moral para desenvolver as empresas de forma estratégica, que se mostrem capazes de definir rumos e avançar para os prosseguir, em mercados globais e dentro das lógicas do comércio e da economia mundial.

A economia só estará ao serviço dos homens se os seus agentes foram capazes e competentes. Caso contrário estaremos a perder tempo com excelentes discursos que não apontam qualquer caminho ou solução, limitando-se a abrilhantar os seus autores.

Portugal precisa cada vez mais de pessoas que não tenham preconceitos perante a economia e as empresas. Que percebam com realismo as regras do jogo e do desenvolvimento, assentes em realidades bem distintas daquelas que em tempos conduziram à construção de um Estado social, agora insustentável.

Por muito que isto custe a alguns, o desenvolvimento social resulta hoje, em grande parte, do sucesso empresarial, da criação de bens e serviços que possibilitem o lucro às empresas. Esta é uma verdade incontornável!

Por isso não podemos ter vergonha de nos preocuparmos com a economia, de lutarmos quotidianamente pela busca do lucro, pelo melhor desempenho das empresas e dos seus colaboradores, pela procura de novos mercados e novos produtos, pela gestão criativa e rigorosa dos patrimónios que nos são confiados.

Porque é através da capacidade de gestão e de trabalho de cada um de nós, em empresas competitivas, em mercados abertos e competitivos, que poderemos aspirar à criação da riqueza e à sua distribuição pela comunidade. Incluindo por aqueles que, insistindo em pregar uma solidariedade utópica, olham «ironicamente» para a economia «como um mal necessário».

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