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Miguel Pina e Cunha - Professor 10 de Agosto de 2014 às 18:30

E o leitor, definiu o seu propósito?

Os líderes que marcam são aqueles que fazem a diferença e que a fazem baseando-se nas suas forças – não na neutralização das fraquezas pessoais.

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"O Jacquin disse-me um dia: 'Alex, você nunca vai ser um bom cozinheiro francês como eu. Faça cozinha brasileira que eu não sei fazer. Você é bom nisso.' Antes, o Darqué tinha dito: 'Alex, pelo amor de Deus, olha o que você sabe o que você conhece e se debruce sobre a riqueza deste país."  

 

Esta citação oferece uma daquelas paradoxais combinações de simplicidade e profundidade, que todavia não são assim tão raras. Foi transmitida por Alex Atala a Maria da Paz Treffaut e saiu no Expresso. Alex Atala é a coqueluche dos "chefs" brasileiros, líder do D.O.M., considerado este ano o sétimo melhor restaurante do mundo. Já foi capa da Time. Jacquin Eric e Michel Darqué são "chefs" franceses premiados. O que os dois franceses dizem a Atala é uma verdade tão simples quanto importante: se queremos ter um impacto no mundo temos de seguir o nosso próprio caminho, e não aquele que funcionou para os outros – mesmo que os outros mereçam a nossa admiração e nos possam ajudar a aprender. Aparentemente os dois franceses ajudaram Atala a compreender melhor o seu caminho. Ajudaram-no a ser melhor. Por outras palavras, ajudaram-no a compreender o seu propósito.

 

Na edição de maio da Harvard Business Review, Craig e Snook tratam precisamente da importância do propósito. Naquele texto defendem que a mais importante função de um executivo é a de definir e proteger o propósito da sua organização. E que uma organização cujos líderes são capazes de definir o seu propósito pessoal é uma organização mais completa e dotada de maior clareza: com pessoas que sabem para onde vão.

 

Craig e Snook definem o propósito de um líder como "quem se é e aquilo que nos torna distintivos". E estabelecem que o propósito é mais poderoso se se focar nas forças de cada um. Como explicaram os dois "chefs" franceses a Atala, ele pode ser um extraordinário "chef" brasileiro, mas nunca poderá ser um extraordinário "chef" francês. Porque não é francês. Dito deste modo, parece óbvio, mas quantos "chefs" (ou chefes) portugueses querem ser extraordinários "chefs" franceses (ou americanos, ou réplicas do patrão)? O caminho da liderança eficaz tem pois de ser o da autenticidade: usar as nossas forças e expandi-las para sermos melhores naquilo que somos, sem querer ser aquilo que não somos. Ser autêntico é ser a mesma pessoa domingo e segunda-feira.  

         

Ser autêntico e movido por um propósito pessoal claro são os caminhos para a diferença. Os líderes que marcam são aqueles que fazem a diferença e que a fazem baseando-se nas suas forças – não na neutralização das fraquezas pessoais. Que têm um propósito. Por isso, eis uma pergunta que podemos colocar a nós próprios: e no meu caso, qual o meu propósito? O que desejo que digam de mim quando me retirar?

       

Para desenvolver este assunto:

Craig, N. & Snook, S. (2014). From purpose to impact. Harvard Business Review, May, 105-111. 

 

Professor na Nova School of Business and Economics

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico.

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