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E o trabalho de casa?

No "run-up" da discussão sobre quem integraria a União Monetária, às tantas o debate centrou-se no "quem fica de fora". A Inglaterra, orgulhosamente céptica, estava "out"; Itália, Espanha e Portugal não tinham "fundamentals" para entrar.

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No "run-up" da discussão sobre quem integraria a União Monetária, às tantas o debate centrou-se no "quem fica de fora". A Inglaterra, orgulhosamente céptica, estava "out"; Itália, Espanha e Portugal não tinham "fundamentals" para entrar. Nesse debate houve acusações de discriminação, nem sempre justas. Dizia-se, por exemplo, que o laxismo financeiro do Club Med (que contaminaria o Euro) não tinha solução. Razão para deixar de fora Portugal, Itália, Espanha e Grécia.

O que se passou então devia ter-nos ensinado alguma coisa. Porquê? Por causa do alegado tratamento de favor da Standard & Poor's à Irlanda, Inglaterra, Bélgica e Holanda, cujo "rating" não foi mexido (ao contrário de Portugal, Espanha, Grécia e Itália).

A S&P tem a credibilidade afectada porque falhou na crise financeira? Tem. Fez borrada ao analisar o nosso risco? Não. Porque, embora os nossos bancos possam estar melhor do que os da Irlanda, Bélgica e até Inglaterra, temos um défice externo preocupante (tal como Espanha), despesa por controlar e reformas por fazer. Mas vamos admitir que até houve falha da S&P. Como evitar que o País fique, sistematicamente, no saco do Club Med (ou PIGS…)? Simples: fazendo o trabalho de casa. Se sanearmos as finanças públicas (défice e dívida pública), ninguém nos poderá apontar o dedo. E teremos razão para contestar uma eventual injustiça. Há 15 anos, a Irlanda estava no nosso grupo. Desta vez ficou de fora. Justamente.
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