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Jorge Libano Monteiro 03 de Janeiro de 2005 às 13:59

É proibido fugir!

Como referia Michael Camedessus aos empresários argentinos no auge da crise: «Em situações dramáticas podem-se cometer muitos erros, mas há um que nunca pode ser cometido: a fuga».

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Ao longo do último mês temos vindo a assistir a um impressionante conjunto de acontecimentos que obrigam cada um a reflectir seriamente sobre o actual estado da nossa sociedade e qual o caminho para onde queremos caminhar.

Cada vez mais nos sentimos a percorrer uma estrada demasiado estreita, onde aqueles que nos querem «guiar» parecem «navegar à vista» preocupados com questões mediáticas, mas não essenciais para alterar o nosso futuro como país independente e nos colocarem na estrada do desenvolvimento sustentado e consistente.

Infelizmente, penso que a grande maioria da população portuguesa não está preocupada com o estado do nosso país, com o previsível colapso da segurança social, nem com a dificuldade de trilhar novos caminhos na área económica e financeira. Os portugueses parecem anestesiados pela cultura promovida pela televisão e outros meios de comunicação, idolatrando actores porno, numa lógica onde tudo é permitido desde que dê prazer, e onde a autoridade, a responsabilidade, os ideais e os valores parecem não ter lugar, nem sentido.

Os homens e mulheres de empresa, os empresários e gestores, os verdadeiros responsáveis pelo desenvolvimento sustentado do país, não podem ficar alheados do futuro do nosso país, que em última instância afecta também a própria funcionalidade da empresa. Os homens e mulheres de empresa não podem, mais uma vez, apenas procurar o espaço necessário para que a sua empresa e o seu negócio não seja afectado pelo desfecho das próximas eleições e com os próximos residentes do palácio de S. Bento.

Compete-lhes terem um papel activo no repensar de Portugal, aplicando todos os meios ao seu alcance para alterar esta situação, fortalecendo e tornando visível uma sociedade civil esclarecida e actuante que controle o Estado nos seus múltiplos «tentáculos», que limite a sua influência na economia e nas questões técnicas da administração pública.

É essencial que, de uma vez por todas, se tenha a coragem de afastar os políticos do dia a dia da economia, recentrando o estado nas suas competências reguladoras e fiscalizadoras, eliminando focos de potenciais ligações perigosas entre o poder político e a economia.

Os empresários e gestores portugueses estão por isso confrontados com a necessidade de potenciar novas formas de actuação para Portugal, têm obrigação de ultrapassar questões menores e criar uma ampla plataforma associativa que possa amplificar de forma consistente e representativa as suas ideias e projectos para Portugal, que possa apoiar as empresas e ajudar o Estado a criar uma estratégia nacional e global para que a as empresas nacionais possam triunfar no mercado mundial.

É nestes momentos de maior incerteza e menores expectativas que o papel dos empresários e gestores se torna essencial, e podem fazer a diferença, ajudando a criar as mais valias estruturantes para o futuro das sociedades onde as suas empresas trabalham. Obrigando os políticos a serem mais responsáveis, mais consistentes e mais sérios, no sentido de os obrigar a olhar para o país, para as questões complexas que temos que enfrentar num futuro demasiado próximo, como sejam: A Renovação do Estado com base no princípio da subsidiariedade; A profunda reforma do sistema político / eleitoral português; A redução e eficácia da despesa pública; O futuro da segurança social e do apoio social do estado; A necessidade de um novo modelo de Educação / Formação; A defesa dos valores e das virtudes.

Não basta aos empresários e gestores portugueses optarem pelas soluções mais fáceis que possibilitam manter a empresa na «crista da onda», é essencial ir à luta, fazer pressão e disponibilizarem-se para, em conjunto, ajudarem a responder às questões centrais onde se pode basear o sucesso de Portugal.

É essencial não fugir ao «desafio», pois como referia Michael Camedessus aos empresários argentinos no auge da crise: «Em situações dramáticas podem-se cometer muitos erros, mas há um que nunca pode ser cometido: a fuga».

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