António Damásio
António Damásio 11 de setembro de 2016 às 17:52

Política Económica do candidato Donald Trump

A 8 de Novembro de 2016, o povo Americano decidirá quem será capaz de liderar um dos países mais influentes no quadro internacional.

Apesar de as recentes sondagens apontarem para um recuo de Trump em 8 pontos percentuais e de rumores sugerindo a falta de apoio do Grand Old Party, importa salientar os aspetos mais característicos da política económica promovida por este controverso candidato.


Em matéria de comércio internacional, Trump pretende rever as pautas comerciais aplicadas a países como a China, o continente europeu, entre outros, visando a proteção das principais indústrias – perspetiva que usualmente adquire apoio junto do eleitorado. Numa análise custo-benefício, é de salientar o peso dos Estados Unidos como grande economia mundial. A imposição de uma pequena tarifa poderá representar para a economia americana um potencial ganho, superior à perda de eficiência associada. Porém, uma política comercial exclusivamente baseada na favorabilidade relativa aos termos de troca parece ser, no mínimo, simplista. Ao pensar no dinamismo e flexibilidade inerentes a economias desenvolvidas, é possível perceber a dificuldade de mensurabilidade dos benefícios produtivos de determinada indústria. Empresas com elevado investimento ao nível da inovação (no processo produtivo ou nos seus recursos de capital humano e/ou iniciativas ambientais) serão à partida mais competitivas no futuro. Assim, considerando as externalidades positivas inerentes, poderá fazer sentido fazer com que essas mesmas empresas sejam elegíveis para um ambiente fiscal mais favorável ou um subsídio governamental, uma medida que estará inviabilizada pelos adeptos do comércio livre.

           

Outra das medidas que tem forte adesão é o aumento dos gastos federais em infraestruturas. Longe dos tempos áureos do keynesianismo de Roosevelt, resta tentar perceber de que maneira será financiado. Não se conhecendo os montantes ambicionados pelo candidato à sala oval, deve realçar-se que numa economia aberta e autónoma a nível de política monetária, existem apenas três possibilidades de financiar tais gastos: aumento de impostos – alternativa que se encontra em consideração para financiamento parcial –, dívida pública ou inflação. Assim, num ambiente de baixas taxas de juro e fracas perspetivas de inflação, o financiamento através de dívida parece ser o mais provável.

           

À parte de qualquer análise à viabilidade da política económico-social de Trump, é impossível ficar indiferente à forma como o discurso é transmitido. Thomas Schelling, economista americano laureado com o prémio Nobel da Economia em 2005, reforçou, no seu ensaio "The Strategy of Conflict", a necessidade de determinado agente conseguir assegurar um compromisso credível no processo de negociação, quer por via do secretismo vs. discurso público, negociação contínua, possibilidade de compensação, precedentes, entre outras características da estrutura negociante. Ora, para um candidato reconhecido pela capacidade de negociar ao longo da sua carreira como empresário, é intrigante a forma como Donald Trump tenta credibilizar o seu discurso. Independentemente de ideologias políticas, com ataques a minorias étnicas, escárnio a incapacitados e ataques concretos a membros do próprio partido, a atitude desta personalidade parece ser de total dissonância, desunião e conflito.

 

Em suma, mesmo com as recentes quedas nas sondagens, o facto é que o cidadão americano é o detentor do juízo final em novembro, e o recente Brexit testemunhou a vontade em acabar com o "status quo", o politicamente correto e a máquina administrativa. 

 

Membro do Nova Investment Club

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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