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Luis Queiros 22 de Dezembro de 2008 às 13:44

Energia: o que diz Obama

Barack Obama colocou a questão energética no topo das suas prioridades de governação e anuncia uma série de medidas para o sector, a curto, médio e longo prazo.

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Barack Obama colocou a questão energética no topo das suas prioridades de governação e anuncia uma série de medidas para o sector, a curto, médio e longo prazo. A concretizarem-se, elas irão ter um impacto significativo no modo de vida dos americanos.

O programa energético de Obama é audacioso, pois prevê a redução da importância das energias fósseis, o aumento da eficiência energética nos transportes e nos edifícios, um forte investimento nas energias renováveis e nos biocombustíveis e a redução das emissões de gases com efeito de estufa, conseguida em parte pelos investimentos no sequestro do anidrido carbónico. Tudo isto visando três grandes objectivos: fomentar o emprego, reduzir a dependência energética externa e combater o aquecimento global. E, para compensar a bolsa dos americanos dos gastos excessivos em gasolina e no aquecimento doméstico, Obama prometeu oferecer, no imediato, um cheque de 1.000 dólares a cada família americana, retirados aos lucros das petrolíferas.
As metas anunciadas estão bem definidas no programa "New energy for America" e incluem, por exemplo: colocar nas estradas um milhão de carros eléctricos até 2015; aumentar em 4% por ano a eficiência dos veículos automóveis; produzir, em 2025, 25% da electricidade a partir de fontes renováveis; substituir, até 2030, 20% do consumo actual de petróleo por biocombustíveis; climatizar um milhão de casas em cada ano; e, a partir de 2030, conseguir que todos os edifícios a construir sejam energeticamente neutros.

O programa aponta ainda para a urgente necessidade de renovar a rede eléctrica, não rejeitando a opção nuclear, hoje responsável por 70% da produção de electricidade não fóssil. Isto com preocupações expressas com a segurança e a armazenagem dos resíduos perigosos.

Ao mesmo tempo, Obama quer incentivar a produção interna de petróleo e de gás, obrigando as petrolíferas a acelerar a prospecção em vastas zonas offshore, construindo o gasoduto do Alaska e aumentando a produção de gás natural. Com isto prevê que os Estados Unidos, daqui a 10 anos, possam reduzir as suas importações de petróleo, num volume correspondente ao que importam actualmente da Venezuela e do Médio Oriente.

Finalmente, Obama quer ver os americanos a preocuparem-se com as questões ambientais e climatéricas, e propõe, como meta para 2050, a redução em 80% das emissões de gases com efeito de estufa, relativamente aos níveis de 1990.

Para cumprir este programa acaba de ser anunciada a escolha para novo secretário da energia de um prestigiado cientista, o Dr. Steven Chu, prémio Nobel da Física em 1997. Alguém que está consciente da situação, como se depreende das suas recentes afirmações: "O problema energético está no centro das nossas preocupações e é o mais importante que a ciência tem que resolver. A segurança nacional está relacionada com a segurança energética, com a competitividade americana a longo prazo, e com os perigos do aquecimento global. Enfrentamos muitos problemas, mas este é o que, se não for resolvido, mudará certamente o nosso modo de viver".

A preocupação dos presidentes americanos com esta questão não é nova. Em 1977, no rescaldo do primeiro choque petrolífero, o presidente James Carter proferiu um dramático discurso televisivo, no qual se comprometia, de forma convicta, a reduzir o consumo energético e a congelar, aos níveis de então, as importações americanas de petróleo. Desde aí, todos os presidentes (com a mesma solenidade com que John Kennedy, em 1962, prometeu que a América iria colocar um homem na Lua antes do final da década) anunciam como meta para a década seguinte a independência energética dos EUA. Mas se o desafio tecnológico foi vencido, o mesmo não se tem passado com o desafio energético. Desde 1977, a dependência energética da América não parou de aumentar.

Dick Cheney disse um dia, a propósito da necessidade de alterar os hábitos das pessoas, como via para a solução do problema energético, que o modo de vida americano não era negociável. Ora as propostas de Barack Obama irão mudar, e muito, o modo de vida americano. O futuro mostrará quem vai ter razão. Porque são duas concepções de vida que se vão confrontar. É essa uma primeira vitória que o novo presidente precisa de assegurar, e que não vai ser fácil. O mundo tem os olhos postos na América e em Barack Obama.
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