Catarina Castro
Catarina Castro 11 de novembro de 2019 às 14:30

Espanha: La Gran Coalicíon?...

No rescaldo da noite eleitoral, a mensagem da população parece ser a mesma: Maturidade e responsabilidade democrática.

Espanha foi a eleições este Domingo com a esperança de um resultado eleitoral que trouxesse uma solução de governabilidade e paz social.


A resposta dos eleitores foi demasiado clara: Bipolarização.

Tal como nas duas ultimas épocas de eleições em Portugal (Legislativas e Regionais Madeira), a decisão eleitoral de concentração ao centro nas duas maiores forças politicas aconteceu.

O fenómeno da Bipolarização politica exige nova maturidade democrática de todos os partidos e é reflexo também da transformação social que atualmente todas as sociedades vivem muito fruto do novo paradigma tecnológico e mediático.

Em Espanha a situação é claramente mais preocupante e urgente.

O relatório de terceiro trimestre de 2019 publicado pelo Banco de Espanha mostrava já sinais claros de impactos e riscos de contração económica para a economia Espanhola.

Espanha apresenta uma desaceleração do crescimento do PIB já com três trimestre consecutivos, dois dos quais coincidentes com o abrandamento do consumo privado e deterioração da confiança do tecido empresarial.

Fonte: Banco de Espanha /Setembro 2019 https://www.bde.es/f/webbde/SES/Secciones/Publicaciones/InformesBoletinesRevistas/BoletinEconomico/19/T3/descargar/Files/be1903e-ite.pdf


Com o domínio do Mercosul comprometido nos últimos 18 meses pela tensão entre EUA e China e com o atual contexto politico interno sem direção clara, Espanha vê-se pela primeira vez nos últimos cinquenta anos a apresentar um dos priores desempenhos económicos dos restantes periféricos a Sul da Europa.

A revisão em baixa do desempenho económico Espanhol tem vindo a ser anunciado desde Setembro e sem solução de governo assim continuará:

Fonte: Banco de Espanha /Setembro 2019 https://www.bde.es/f/webbde/GAP/Secciones/SalaPrensa/IntervencionesPublicas/DirectoresGenerales/economia/Arc/arce240919en.pdf

 

A reação dos investidores faz-se sentir também desde Setembro com reversão do bom comportamento da curva de taxas de juro de divida publica a acontecer tantos nos prazos de 1 ano como nos prazos mais longos dos 10 anos refletindo o momento critico de grande preocupação.

 

Fonte: oBLUE /Novembro 2019

Uma sondagem lançada esta manhã pelo jornal online Expansion aponta dois cenários nunca antes vividos por esta nova España após o N-11 (Novembro 11):

  • Coligação PSOE-PP;
  • Terceira ronda de novas Eleições.

 

Fonte: Expansion - https://www.expansion.com/economia/politica/elecciones-generales/debate/2019/11/10/5dc88c7fe5fdea14578b45c4.html

 

No rescaldo da noite eleitoral, a mensagem da população parece ser a mesma: Maturidade e responsabilidade democrática.

Qualquer um dos cenários serão experiências novas e únicas para Espanha:

  • Uma coligação centrista - La Gran Coalicíon - com a recuperação do PP  nestes últimos seis meses reflexo em parte também dos receios de uma extrema-direita galvanizada pela ausência de paz social na Catalunha e pelo reviver da história Franquista com a exumação de Francisco Franco do Vale dos Caídos
  • Nova ronda de eleições, esta que no atual contexto levantaria várias dívidas constitucionais colocando em causa provavelmente todo o modelo Constitucional de 1978.

 

Este será certamente mais um desafio para a definição do posicionamento dos investidores na avaliação de Espanha como um dos maiores mercados de divida publica Europeia bem como para o posicionamento de Portugal perante qualquer um destes desfechos:

  • O lado negativo – Espanha representa 25.2% das exportações de Portugal
  • O desafio – poderá Portugal conquistar a residência fiscal da elite Espanhola saturada com o atual clima de incerteza interna?

 

O desafio é claro, qualquer desfecho em Espanha tem consequências diretas para Portugal.

 

 

 Economista e CEO da Blue

 

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