Paulo Carmona
Paulo Carmona 07 de março de 2018 às 20:37

Esquerda, direita, volver

Todos os governos democráticos pensam no povo, os eleitores, mas os grandes tiranos sempre intoxicaram e governaram em nome do povo…

A FRASE...

 

"PS é incapaz de se afirmar de esquerda."

 

Jerónimo de Sousa, Público, 4 de março de 2018

 

A ANÁLISE...

 

Por baixo da espuma e das narrativas, existe cada vez menos a distinção tradicional entre esquerda e direita. Por essa Europa, a grande linha de fratura é entre partidos tradicionais e populistas. Vejamos a grande coligação alemã democrata-cristã/socialista contra os extremistas da AfD ou os ex-comunistas, por exemplo. E Macron, é de direita ou de esquerda? E Beppe Grilo? E o Syriza na Grécia, que continua a aplicar incansavelmente as ditas políticas de austeridade de direita? Já vai no 8.º pacote. E que dizer da grande convergência de ideias e propostas entre Le Pen e Mélenchon, entre as extrema-direita e esquerda francesas?

 

Um pouco por todo o lado existem governos de esquerda a fazer políticas ditas de direita e vice-versa. Porque as políticas dos países europeus, abro a exceção para algumas lideranças populistas no Este da Europa, são a arte do possível num continente envelhecido com políticas sociais criadas num passado já longínquo de "boom" económico e demográfico. Todos os governos se preocupam com o crescimento económico e a correção das desigualdades, são essas as preocupações dos eleitorados e são as que dão votos para uma reeleição. Aí não existe esquerda ou direita, existem bons ou maus governos.

 

Por cá a história é a mesma, só que os portugueses são mais facilmente enganados por narrativas, soporíferos e sombras. Também leem pouco, pensam menos… e veem televisão a mais.

 

Num país onde o futebol é rei, o meu partido é melhor do que o teu, há uma dose de clubite partidária lusa muito superior aos outros países, que arrasa o espírito crítico de muitos sobre a governação ou os arranjos ideológicos. O governo Sócrates, com a sua grande ligação aos grandes interesses e grupos económicos, era de esquerda ou direita? E Passos quando aumentou os impostos sobre as pensões e os salários mais altos para não aumentar os impostos sobre os combustíveis, sobre ricos e pobres, foi uma medida de esquerda ou de direita? E a austeridade ou, se preferirem o rigor nas contas públicas, é de direita ou de esquerda? A política é a mesma, mas muda de cor em função do agente? Haverá assim tanta diferença ou é marketing político para enganar os tolos?

 

Todos os governos democráticos pensam no povo, os eleitores, mas os grandes tiranos sempre intoxicaram e governaram em nome do povo…

 

Artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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