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Estamos a vender o País ao desbarato?

Uma leitora destas crónicas dizia há dias que. para fazer frente a dificuldades financeiras, um dia teve de recorrer a uma dessas casas (que agora proliferam por aí) para vender activos em ouro.

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Mas para não mostrar que estava nas lonas vestiu-se com o melhor fato, encheu pescoço, orelhas e dedos de jóias (para além de um sorriso confiante) e apresentou-se ao comprador com peças que não usava. A estratégia era não denunciar o "estado de necessidade". Resultado: a avaliação foi superior ao esperado.

Lembrei-me deste exemplo ao ver o périplo mundial do Governo, para vender activos portugueses (dívida pública e empresas). Como sou dos que não têm pesadelos com o fim da ideia de "centros de decisão nacional" (whatever that means), não me apoquenta a venda de activos ao exterior. Porque o que interessa não é a sua titularidade, mas sim a criação de valor: saber se alguém compra uma empresa por X e a faz valer X+1… e saber se cria postos de trabalho.

Mas há um problema com a estratégia do Governo: não consegue disfarçar, junto dos compradores, que estamos de tanga. E, por isso, somos obrigados a aceitar o que nos dão pelos activos. Mesmo que eles valham mais (no caso da venda privada de dívida pública pagamos juros mais altos do que os de mercado)!

É possível dar a volta a isto? Claro que é. Basta ter estratégia: antecipar problemas, pensar em soluções, ter marketing arrasador. Alguém devia oferecer ao 1º ministro os case-studies que explicam como Steve Jobs relançou a Apple e como Luca di Montezemolo recuperou a Fiat? Senão ainda acabamos a vender os dedos, à falta de anéis!

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