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Mário Negreiros 12 de Setembro de 2006 às 13:59

Eu e Mateus

Proclamo aqui, em alto e bom som, a minha total, completa e voluntária ignorância a respeito do «caso Mateus». Nem quem é esse tal «Mateus» eu sei. Fiquei com a impressão de que se trata de um jogador de futebol, mas não tenho a certeza.

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Ouvi dizer que a FIFA está muito zangada, que ameaçou banir o futebol português das competições internacionais, e fiquei com a suspeita de que isso tem alguma coisa a ver com o «caso Mateus». Também sei que é muito difícil ficar mais do que 3 minutos com alguém com quem, normalmente, se faria comentários sobre o tempo sem, em vez disso, ouvir um veredicto qualquer, embora definitivo, sobre o «caso Mateus» - situação em que, de duas, uma: ou confesso, acabrunhado, a minha total ignorância ou remedeio o silêncio com um vago e covarde «pois é...».

E é por isso que aqui e agora proclamo, em alto e bom som, quase orgulhosamente, que não sei patavina do «caso Mateus». Não é que não lhe dê importância. Pelo contrário, estou convencido (sem ironias) de que é o acontecimento mais importante de Portugal ao longo do último... último quanto tempo? Não sei sequer há quanto tempo o «Mateus» se fez «caso». Mas que é hoje o que mais importa a Portugal, disso não tenho a menor dúvida. O que não sei é se me devo importar com o que importa a Portugal - o que é muito diferente de me importar ou não com o que aconteça a Portugal. Preocupa-me, por exemplo, a previsão meteorológica para Portugal em vésperas de vindima. Mas não me importam os meandros do «caso Mateus». Não porque não me digam respeito. Acho que dizem, sim! Mas nem por isso me importam. Soam-me a mais do mesmo, nada além de mais do mesmo.

Ignorante de tudo o que diga respeito ao «caso Mateus», seria, no entanto, capaz de apostar que se trata de mais uma das incontáveis variações da mesma história de malandrices toleradas até que um malandro se sinta lesado pela malandrice de outro malandro, cada um mais malandro do que o outro... não tenho paciência. Reconheço que, se for mesmo isso, é coisa da mais grave importância, e que o facto de se vir repetindo a ponto de se ter tornado corriqueira e previsível torna-a ainda mais grave mas, com toda a franqueza, não tenho nem me julgo obrigado a ter paciência. O que me importa é se chove ou se não chove no Douro.

E é quase orgulhosamente que o digo porque me quero demarcar, sim, desse Portugal que se importa com o «caso Mateus». Se for caso de FIFA, a FIFA que se ocupe. Se for caso de polícia, a polícia que se ocupe. Se for caso de juiz, o juiz que se ocupe. Como português, estou-me, quero estar, e convoco toda a Nação a estar-se, sobranceira e orgulhosamente, nas tintas para o «caso Mateus». E a tratar da vida (refiro-me à própria).

PS: Se o «caso Mateus» é um caso para a FIFA, a FIFA é um caso para Kadafi. Quem quiser saber as posições do auto-proclamado «brother leader of the revolution» pode visitar o blog do presidente líbio (www.algathafi.org). Nele, Kadafi conclama: «FIFA, modify it or cancel it» e, sem chegar a resolver o «caso Mateus», explica como a FIFA devia ser e, já agora, dá lições de combate ao terrorismo. A que ponto chegámos.

PPS: Acuso a Câmara de Oeiras de ser omissa no combate ao estacionamento em cima dos passeios e, se houver consequências trágicas (atropelamento de alguma criança no caminho da escola, por exemplo), alguém lá dentro deve ser responsabilizado criminalmente por essa omissão, que se faz todos os dias. Digo isso agora, antes que as aulas recomecem.

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