Camilo Lourenço
Camilo Lourenço 20 de abril de 2016 às 21:00

"Eu gostava era de ser ministro"

Olha-se para o que se passou nas últimas semanas na política portuguesa e fica uma pergunta: como é que Bloco e PCP vão reagir a mais austeridade?

Catarina Martins chuta para canto e diz que não há razão para mais sacrifícios se a execução orçamental está a correr bem. Jerónimo vai atrás. Só que isso é meia-verdade: até agora a execução correu bem por causa do regime de duodécimos. Mas com o OE 2016 em vigor, a pressão para o aumento de despesa vai aumentar e o crescimento abaixo do previsto irá provocar uma derrapagem da receita. Ou seja, a coligação já percebeu que Bruxelas vai mesmo impor mais austeridade.

 

O PS é natural que a aceite: não quer sair do Governo. E a dupla PCP-Bloco? É aqui que vale a pena olhar para o passado recente. Tirando a irritação de Catarina com Costa, no último debate parlamentar (não foi informada do "banco mau"), o relacionamento da coligação é tranquilo. Repare-se na macieza do discurso de Jerónimo e na aceitação da subida do IVA, que transparece nas declarações de Catarina. Em suma, não há nada de grave entre os três (pelo menos para já). O que permite antecipar um resto de 2016 sossegado. A menos que aconteça um terramoto, coisa sempre possível em política.

 

A atestar esta mudança do papel do PCP e do Bloco na política portuguesa um responsável da maioria contava uma conversa recente com um dos parceiros de coligação: "Sabe o que me disse, meio nostálgico meio sorridente? 'Eu gostava era de ser ministro'."

 

Gracejo? Não sei. Mas é capaz de revelar alguma coisa.

 

Jornalista de economia

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