Carlos Albuquerque
Carlos Albuquerque 28 de abril de 2014 às 21:12

Euro ou não euro?

O futuro do euro só deve ser discutido equacionando o modelo constitucional. Há dois modelos limites e alternativos. O Modelo da Ilusão e o Modelo da Responsabilidade.

 

A FRASE...

 

"Temos uma crise permanente em termos económicos, com fraco crescimento, e basta haver uma nova crise financeira para a questão do colapso do euro se voltar a colocar. Vamos de crise em crise até à derrota final. Uma nova crise financeira é inevitável."

 

João Ferreira do Amaral, Expresso, 25 de abril de 2014. 

 

A ANÁLISE...

 

O Modelo da Ilusão alimenta promessas irrealizáveis. Não vive sem inflação. Sem criação de massa monetária. E sem desvalorização cambial. Manipula rendimentos e preços. Desvaloriza a produção interna em nome da competitividade. Premeia os exportadores ineficientes. Fomenta o endividamento, público e privado. Alimenta os interesses instalados. Tudo dissimulado pela ilusão monetária. Menos penalizador para os governos. Muito penalizador para as famílias. Não sobrevive com o euro. Ou o euro não sobrevive com este modelo. É um modelo do passado, com uma moeda do presente.

 

O modelo da responsabilidade vive da verdade. Não necessita de inflação. Nem de desvalorização cambial artificial. E muito menos de criação de massa monetária. Tem verdade na evolução dos salários e preços. Exige equilíbrio das contas públicas. Desenvolve-se pelo empreendedorismo e pela inovação. Ajusta a competitividade pelo mercado. Liberta a ação e a negociação. Gera independência pelos excedentes com o exterior. Respeita as gerações futuras. É compatível com o euro. Depende da vontade de cada país. Necessita de uma transição. Dura. Mas necessária. E garante a independência nacional.

 

A moeda depende do modelo constitucional. A ilusão, fora do euro. A responsabilidade, dentro do euro. Discutamos o modelo. Depois o euro.        

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com                                  

 

Este artigo de opinião foi escrito em conformidade com o novo Acordo Ortográfico.

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