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Manuel Caldeira Cabral 18 de Abril de 2012 às 23:30

Exportações: empresários continuam a superar previsões

No primeiro trimestre de 2012 as exportações portuguesas continuam a crescer acima da média dos países europeus, e muito acima das previsões da generalidade das instituições internacionais.

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No primeiro trimestre de 2012 as exportações portuguesas continuam a crescer acima da média dos países europeus, e muito acima das previsões da generalidade das instituições internacionais. Nada de novo, nos últimos seis anos, Portugal foi o segundo país em que mais cresceram as exportações entre os 15 que há mais tempo estão na UE. Nada de novo no erro das previsões. As previsões sobre aumento das exportações têm subestimando o crescimento das exportações portuguesas em praticamente todos os anos desde 2005.

1. O período entre 2005 e 2011 foi o primeiro, desde o início dos anos 90, em que o crescimento económico foi puxado pelo crescimento externo. Nestes anos, o crescimento das exportações tem sido marcado por três tendências. A primeira foi a diversificação dos mercados, com o aumento do peso das expedições para o espaço extra comunitário. Esta tendência acentuou-se depois de 2005, significando uma orientação para mercados em maior crescimento e mostrando que as empresas estão a conseguir competir no mercado global, compensando as perdas que sofreram no mercado europeu com os ganhos de quota dos países asiáticos e do leste.

A segunda tendência, foi a alteração de estrutura de sectorial na indústria, com a diminuição do peso dos sectores de baixa tecnologia, mais directamente expostos à concorrência asiática, e a evolução tecnológica dos chamados sectores tradicionais, que lhes permitiu diferenciarem-se da oferta dos países com menores salários, concorrendo pela qualidade, rapidez de resposta, design, etc.

A terceira foi o forte aumento das exportações de serviços, quer do turismo, que depois de 2005 voltou a crescer, quer dos transportes e de serviços com maior incorporação tecnológica como software, arquitectura e engenharia. Qualquer destes sectores conseguiu crescer de forma sustentada, em áreas onde a concorrência asiática e a pressão dos baixos salários se fazem sentir menos.

2. A taxa de crescimento das exportações portuguesas, registada num período de 6 anos particularmente difícil, sugere que os diagnósticos de perda de competitividade da economia portuguesa, apenas baseados na evolução dos custos unitários de trabalho e na constatação do défice da balança corrente, são no mínimo incompletos, enviesando a resposta para a necessidade de redução de salários, como única e principal resposta.

Quando se compara a evolução do saldo externo português com o da Alemanha ou Holanda, a causa da diferença na posição externa dificilmente pode ser a fraca evolução das nossas exportações. Afinal, mesmo com a evolução salarial que se verificou, as exportações portuguesas cresceram mais do que as alemãs. A persistência de um baixo nível de poupança em Portugal foi a principal causa dos défices registados nos últimos anos e não a má performance exportadora. É difícil prever que a descida dos salários, por si só, contribua para a correcção desse problema.

3. Será que as exportações vão continuar a crescer ao mesmo ritmo até ao fim de 2012, e em 2013 e 2014? As previsões do Governo, da Comissão ou do FMI, dizem claramente que não. No entanto, estas previsões têm falhado redondamente nos últimos anos.

Esta questão é determinante para saber se o programa de ajustamento vai resultar. Em 2011, sem o crescimento das exportações verificado, a economia teria caído entre 4 a 5 %, em vez de 1,5%. Se tal tivesse acontecido, o efeito na diminuição de receita e aumento de prestações teria comprometido a consolidação que foi conseguida.

Olhando para a realidade a resposta parece ser mista. A manutenção do crescimento das exportações é um bom sinal. No entanto, estando Portugal em níveis de exportação já superiores aos de antes da crise, não poderá continuar a crescer apenas por utilização de capacidade instalada. A continuação da diminuição do investimento é, neste contexto, um alerta importante. O facto do aumento se ter baseado numa parte importante nas exportações de produtos petrolíferos, sugere que investimentos do passado e efeitos de preço podem estar a dar um contributo para o crescimento, que não podemos contar que continue. O facto do aumento das exportações se verificar em simultâneo com a redução da produção e do emprego na indústria, sugere que este possa estar a resultar, em parte, apenas da reorientação de produção para o mercado externo, o que significa que, ao contrário do que aconteceu em 2010 e 2011, o sector já não estará a contribuir para atenuar o aumento do desemprego.

Estando a dimensão da queda da economia portuguesa e a capacidade de consolidação orçamental tão dependentes da evolução das exportações e tendo os nossos empresários já demonstrado que são capazes de crescer em novos produtos e mercados, era importante que esta capacidade e esforço não ficasse cortada, pela falta de financiamento, quer à actividade exportadora, quer aos novos investimentos que muitas empresas exportadoras terão que realizar para que possam continuar a crescer. É também essencial que se redobrem os esforços de apoio às empresas que se estão a internacionalizar e não sabem como ou não têm os meios para o fazer acontecer, reforçando a tão prometida diplomacia económica, que abra as portas pelas quais os nossos produtos possam chegar a novos mercados.




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